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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

A industrialização é a nova esperança

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Estação da Luz, São Paulo
O surgimento das indústrias no Brasil deu-se em meio a acirradas discussões sobre a utilidade dessa atividade econômica para o país. A pressão dos produtores rurais para manter seus privilégios foi muito articulada e contava com o apoio dos governadores, pois geralmente estes eram membros da classe agricultora. Somente depois de muita insistência do novo setor e após a crise cafeeira o Estado brasileiro passou a considerar seriamente as necessidades do setor industrial ao estabelecer sua política econômica.
 
Uma série de fatores convergiu para a intensificação das atividades industriais no início do século XX, dentre os quais podemos destacar:

- A existência de capital excedente vindo dos lucros com o café, que gerou a busca por negócios diversificados para ampliar o leque de investimentos dos detentores desse capital.

- O interesse de países como Inglaterra e Estados Unidos em exportar capitais e máquinas (por meio de empréstimos e participação em empresas no exterior).
 
- A imigração europeia, que favoreceu o crescimento da mão de obra assalariada, com condições de formar um mercado consumidor amplo e fornecer operários com alguma experiência na área industrial.
 
- O capital e a experiência trazidos pelos próprios imigrantes, que se tornaram industriais de peso em vários setores de atividades.

 
A indústria de bens de consumo

No início da industrialização brasileira predominou a indústria de bens de consumo, como a indústria de alimentos e a indústria têxtil. Por utilizar uma tecnologia mais simples, essa indústria exigia menos capital. Ela também era favorecida pela existência de matéria-prima abundante no país. Outro atrativo para sua instalação era o rápido escoamento dos produtos, já que o mercado interno brasileiro estava em expansão. O surgimento das fábricas reforçou a relação de dependência entre o Brasil e os países onde a Revolução Industrial já estava consolidada havia pelo menos cem anos, como a Inglaterra.
 
A substituição das importações

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Pânico durante a quebra da bolsa de Nova York, 1º de outubro de 1929
As oscilações econômicas e políticas no exterior, reflexo principalmente da Primeira Guerra Mundial e da Crise da Bolsa de Nova York, em 1929, forçaram a substituição das importações, o que acabou favorecendo a expansão das indústrias de base. Nas três primeiras décadas do século XX, o aumento das possibilidades do mercado consumidor atraiu grupos e famílias estrangeiras para o Brasil, que chegaram com capital para investir e com experiência no setor. Famílias como a Matarazzo e a Jafet destacaram-se, suprindo o mercado interno com produtos que, pelo menos naquele momento, estavam inacessíveis no comércio exterior.

As empresas de serviços

O desenvolvimento da indústria e a crescente urbanização do país exigiram cada vez mais a criação de uma infraestrutura de apoio. Energia elétrica e transporte, por exemplo, eram fundamentais para que qualquer projeto de modernização pudesse decolar.

Essa foi mais uma oportunidade para as investidas do capital estrangeiro no Brasil. Sem dinheiro para garantir esses serviços, os sucessivos governos da República foram concedendo às empresas estrangeiras o direito a exploração de fornecimento de energia, gás, transportes, coleta de esgoto, portos etc.
 
Os lucros dessas empresas de serviços eram garantidos. A Light&Power, empresa canadense fundada em 1899, controlou os serviços de energia elétrica durante várias décadas.


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