Busca  
  Economia   
Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Carência de especiarias e metais na Europa

Em 1453, o florescente comércio de especiarias, capitaneado pelas cidades italianas, foi interrompido em consequência da tomada de Constantinopla – antigo nome da atual cidade de Istambul, na Turquia – pelos turcos. Essa cidade era o maior porto e entreposto comercial no período medieval. Era por ali que as rotas de especiarias do Oriente se cruzavam com as dos navios italianos. A tomada de Constantinopla acabou afetando o consumo dos produtos orientais na Europa.
 
Foi nesse momento que Portugal – já com profundos conhecimentos de navegação e astronomia – tornou-se uma das grandes potências marítimas do mundo, tentando chegar às Índias, contornando a África.
 

Portugal e Espanha dividem o mundo

Capa da Nueva Descripción del Orbe de la Tierra, de Joseph Vicente Olmo, livro publicado em Madri (Espanha), em 1681


Os reis da Espanha decidiram arriscar um trajeto diferente e encarregaram o navegador Cristóvão Colombo de chefiar uma expedição que cruzasse o Atlântico para chegar ao Oriente pelo Oeste. Nessa viagem, Colombo descobriu a América, em 1492. Esse descobrimento acirrou as disputas entre Portugal e Espanha pelo domínio do Atlântico.
 
Os portugueses queriam garantir as rotas do Atlântico Sul e, segundo alguns historiadores, assegurar a posse das terras que já supunham existir ali – as terras do Brasil.
 




A Bula "Inter colétera"
Em 1493, o Papa Alexandre VI promulgou a Bula "Inter colétera", que dividiu o mundo por um meridiano fixado 100 léguas a Oeste dos Açores e do arquipélago de Cabo Verde. Essa decisão privilegiava a Espanha, e os portugueses ameaçaram entrar em guerra.
 
O Tratado de Tordesilhas
A solução para o conflito foi dada em 1494, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas. Firmado entre Portugal e Espanha, também com a mediação do Papa, o tratado alterava de 100 para 370 léguas a Oeste de Cabo Verde o limite determinado pela Bula "Inter colétera".
 
Portugal garantia, assim, folgada margem de segurança no controle das rotas do Atlântico Sul.
 
As terras de Portugal

Para confirmar a existência e a posse das terras que lhe cabiam pelo Tratado de Tordesilhas, o rei de Portugal, D. Manuel, enviou uma esquadra para o oceano Atlântico sob o comando de Pedro Álvares Cabral. O almirante e sua esquadra confirmaram a existência de novas terras em 22 de abril de 1500 — dia registrado como o do "descobrimento" do Brasil.

Reprodução da Carta de Pero Vaz de Caminha relatando a chegada dos portugueses à terra brasileira
A esquadra de Cabral

O almirante Cabral comandou a maior e mais bem equipada frota a zarpar dos portos ibéricos até aquele momento. Partiu do Restelo em Lisboa, no dia 9 de março de 1500, com dez naus e três caravelas. Levava 1.500 homens, quase 3% da população de Lisboa, na época com cerca de 50 mil habitantes. Em 22 de abril, chegou à costa da Bahia, na Baía Cabrália, ao norte da atual cidade de Porto Seguro, onde foram fincados os marcos de Portugal.

A viagem ficou envolta em mistérios durante muito tempo, porque naquela época os reis não podiam anunciar que haviam encontrado novas terras. A meta oficial de Cabral era chegar até a Índia pelo caminho da África, o que realmente aconteceu. Antes, porém, passou pelo Oeste para oficializar a nova terra.
 
Nomes pitorescos

Considerada inicialmente uma ilha, a nova terra foi chamada de Ilha de Vera Cruz. Quando se percebeu o engano, o nome foi mudado para Terra de Santa Cruz. Extraoficialmente, nos mapas e relatos de viagens da época apareciam outras denominações, como "Terra dos Papagaios" (aves consideradas exóticas na Europa) e "Terra dos Brasis", uma referência à abundância do pau-brasil.
Mapa-múndi de 1507:primeira carta geográfica a registrar o nome "América" em referência ao novo continente. O nome "Brasil" começou a aparecer em 1503
 


Anterior Início Próxima