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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Mato Grosso e Goiás

Retrato de Dona Mariana, rainha de Portugal, esposa de D. João V, aclamado rei na época da Guerra dos Emboabas
Expulsos de Minas Gerais após a Guerra dos Emboabas, os bandeirantes paulistas embrenharam-se pelos sertões do Oeste mineiro e lá também descobriram novas jazidas de ouro. Pascoal Moreira Cabral descobriu as minas de Cuiabá, em 1718. E Bartolomeu Bueno da Silva, o filho, encontrou ouro em Goiás. Essas descobertas levaram o rei D. João V, de Portugal, a criar governos separados na região, surgindo assim as capitanias de Mato Grosso e de Goiás, em 1748.

O acesso e o abastecimento da nova região aurífera eram dificultados pela distância, pelos ataques de índios e pelos caminhos fluviais cheios de obstáculos. Apesar das dificuldades, Portugal tinha interesses econômicos (o ouro) e estratégicos (a proximidade das minas peruanas) para se estabelecer naquela zona. Aos poucos, ocupou o território fundando núcleos urbanos.
 
Assim como em Minas Gerais, o trabalho dos escravos africanos foi fundamental para a exploração do ouro nas novas capitanias.

 
Mulher Tupinambá, de Albert Eckhout, de 1641
Nos principais centros de mineração do ouro, os bandeirantes criaram diversos núcleos urbanos:
 
• Cuiabá foi criada em 1722. Tornou-se Vila Real de Cuiabá, em 1726. 

• Em 1727, surgiu Goiás Velho, com o nome de Arraial de Santana, rebatizada em 1739 como Vila Boa. Esse nome, derivado de Vila Bueno, era uma homenagem ao fundador, Bartolomeu Bueno da Silva. 

• Outro veio de ouro descoberto em Mato Grosso levou à fundação de Vila Bela em 1752, no local da antiga povoação de Pouso Alegre. Foi a capital de Mato Grosso até 1835. A partir de então, a cidade passou a se chamar Mato Grosso. Mais tarde, voltou a receber a antiga denominação de Vila Bela, como é conhecida até hoje. 



Goiás Velho, fundada em 1727 pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva
A preocupação da Coroa

D. João V reconheceu a importância de marcar a presença portuguesa em Mato Grosso e Goiás. A intenção da Coroa portuguesa era garantir a exploração econômica do imenso território brasileiro e fazer frente aos espanhóis.


Com a mineração e o trabalho dos jesuítas, os espanhóis ocupavam áreas próximas de Mato Grosso e de Goiás – correspondentes aos atuais Peru, Bolívia e Paraguai.


O documento abaixo, de 29 de janeiro de 1749, justifica a
criação das capitanias de Mato Grosso e de Goiás:

"Houve Vossa Majestade por bem aprovar o parecer (...) tocante à criação de novos governos nas Minas de Goiás, e nas de Cuiabá (...). No dos Goiás o tem por necessário em razão das muitas povoações, que já existem estendidas por mais de trezentas léguas, como vão desde a passagem do Rio Grande até os confins do governo do Maranhão, sendo a maior parte deste espaço de terras minerais de ouro, e também em razão de haverem no mesmo distrito dois outros em que se acham diamantes onde será preciso todo o cuidado de um bom Governador (...). No distrito de Cuiabá ainda reconhece o Conselho [Ultramarino] maior necessidade de Governador distinto e inteligente, e assim porque a extensão dele ainda exceda a dos Goiás, e a distância é muito maior (...) como pela circunstância de confinar este Mato Grosso com o Governo Espanhol de Santa Cruz de la Sierra, e com as aldeias dos Jesuítas castelhanos dos Mochos e Chiquitos (...) é muito conveniente que ali haja um Governador capaz de responder e obrar (...) para evitar as desconfianças da Corte de Madri, sem perder o direito de nossos descobrimentos."



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