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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Os homens livres e pobres

O sistema de distribuição de lavras criou, em Minas Gerais, uma classe social intermediária. Eram homens que não tinham terras nem escravos, mas trabalhavam no garimpo ou na exploração de minas abandonadas. Apesar de excluídos pela sociedade, a concentração da riqueza permitiu que se destacassem em outros setores. Criou-se, assim, um mercado de trabalho livre para carpinteiros, alfaiates, sapateiros, pintores e outras profissões.

A riqueza mostra-se na arte
Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho

Dentro dessas novas ocupações que passaram a ter mão de obra livre surgiram os artesãos e artistas que criaram, no século XVIII e no início do XIX, uma arte com características específicas. Motivados pelo isolamento e pela riqueza da região, homens como o arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa – o Aleijadinho (1738?-1814), artista mais representativo do Barroco brasileiro – e o pintor Manuel da Costa Athayde (1762?-1830) forjaram a primeira escola artística brasileira: o Barroco mineiro.

O Barroco

A partir de meados do século XVIII, o Barroco tornou-se o estilo artístico mais marcante em Minas Gerais. De inspiração religiosa, era desenvolvido principalmente nas igrejas católicas, mantidas pelos ricos donos das lavras ou por negros reunidos em irmandades. O Barroco teve aspectos particulares na América, incorporando elementos locais aos princípios da arte que vinham da Europa. Arquitetura, escultura e pintura foram integradas nas construções. A decoração passou a ser mais rica – em contraste com a sóbria arquitetura colonial portuguesa dos séculos anteriores – e a decoração foi simplificada, suprimindo os excessos. Os melhores exemplos dessa integração foram as obras de Aleijadinho, como a Igreja de São Francisco de Assis (1766), em Ouro Preto, e as esculturas Os Passos da Paixão, da Igreja de Bom Jesus de Matosinhos (1796 a 1799), e Os Doze Profetas (1800 a 1805), na mesma igreja.

São José de Botas, século XVIII, escultura de Aleijadinho, Palácio dos Bandeirantes (SP)
Pintura de teto da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, de Manuel da Costa Athayde


Secagem de café em terreiro: o produto liderou as exportações de Minas, em meados do século XIX
O predomínio agrícola

O declínio da produção de ouro em Minas Gerais, ainda no século XVIII, transformou a economia. Durante todo o século XIX, embora ainda se insistisse na procura de novas jazidas, a agricultura, com o café, e a pecuária tornaram-se as atividades econômicas mais importantes em Minas – então a maior região escravista do Brasil imperial.


A partir de 1830, o café substituiu o algodão nas exportações de Minas Gerais. E, a partir de 1850, foi plantado em grande escala por toda a região.





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