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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

A pecuária extensiva

A ocupação do sertão foi incentivada, a partir do final do século XVII, pela pecuária. Apesar de sua aridez, a região oferecia vantagens para a criação. Havia imensas áreas planas ideais para a pecuária extensiva, o sal mineral aflorava naturalmente no solo, fornecendo um alimento essencial ao gado, e, como não existiam matas a serem desbravadas, ficava mais fácil instalar as fazendas.

Inicialmente, o povoamento concentrou-se nas margens dos rios São Francisco e Parnaíba e nas áreas onde havia mais água. Existiram também duas correntes de penetração no sertão nordestino, como indica o mapa abaixo. A falta de água marca a paisagem dessa imensa área, chamada "Polígono das Secas". Saiba mais sobre esse assunto.

A divisão das terras

Assim como no restante da Colônia, as terras do sertão eram divididas em sesmarias. Nesse sistema, a Coroa exigia que os sesmeiros iniciassem a produção no prazo de cinco anos e pagassem os impostos e tributos devidos a Coroa. Caso contrário, perderiam a posse da terra e pagariam uma multa.

As sesmarias podem ser consideradas a raiz da concentração do poder e da formação de grandes latifúndios: por não possuírem uma dimensão definida, formavam-se grandes extensões de terras que davam origem a grandes conflitos agrários que, atualmente, fazem parte da história do Brasil.

Grande produção e consumo

A produção e o consumo da carne sertaneja eram imensos. O produto abastecia os centros do Norte e Nordeste. Em 1711, o cronista André João Antonil afirmava existir ali um rebanho de 1 milhão de reses. Boa parte delas, no entanto, morria por falta de água, desnutrição ou ataques de inimigos naturais.

Mão de obra escassa e barata

Solitário, vaqueiro luta para sobreviver na terra seca
A pecuária extensiva não requeria muita mão de obra: 10 ou 12 homens eram suficientes para cuidar de uma grande criação, e eles recebiam 25% do rebanho como forma de pagamento. Muitos vaqueiros eram índios, pois conheciam como ninguém o sertão e estavam mais bem adaptados às secas.

Uma das alternativas dos vaqueiros era produzir carne-seca, pois poderiam estocá-la por vários meses.

Engenho de Carne-seca Brasileiro, aquarela de Jean-Baptiste Debret, 1829


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