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O desenvolvimento dos Sudeste e o esquecimento do Nordeste

Durante as primeiras décadas do século XX, a economia do Brasil foi impussionada fortemente pela produção do café, cujas plantações, principalmente por motivos climáticos, foram concentradas em regiões do Sudeste, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. A economia cafeeira fez de São Paulo a principal força de desenvolvimento econômico do Brasil e, mesmo em momentos de crise para o escoamento da produção, políticas governamentais trataram de valorizar a economia cafeeira em detrimento de outras atividades desenvolvidas nas mais diversas regiões do país, a exemplo do Nordeste.

O subsequente desenvolvimento industrial, presenciado no Brasil a partir da década de 1960, tratou mais uma vez de consolidar o Sudeste como uma região economicamente mais desenvolvida. Com grandes incentivos e respaldo de políticas encabeçadas pelo governo federal, cidades de São Paulo, como São Bernado do Campo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais presenciaram a instalação de grandes multinacionais como siderúgicas e montadoras de automóveis. Mais uma vez se privilegiava o Sudeste e o Nordeste era esquecido.

A partir do governo de Juscelino Kubitschek alguns órgãos da adminstração pública foram criados com o intuito de combater problemas e desenvolver as demais regiões do Brasil. Mas as ações foram insuficientes e esbarraram em problemas de naturezas diversas. O Departamento de Obras Nacionais Contra as Secas (DENOCS), por exemplo, não concretizou grandes ações e esteve envolvido em vários processos de corrupção. A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), criada em 1959 com o intuito de desenvolver os estados da região Nordeste foi fechada em 2001, após anos de uma série de denúnciais de desvio de dinheiro público e só foi recriada em 2007.

Assim, sem grandes incentivos e políticas federais de peso, a região Nordeste passou todo o  século XX com baixo desenvolvimento econômico e social e com grandes problemas desencadeados por questões climáticas. Durante as décadas de 1960, 1970 e 1980 foi grande o número de nordestinos que partiu rumo ao Sudeste em busca de melhores condições de vida e de trabalho.

Cartaz de divulgação do filme Vidas secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos. Baseada no livro de Graciliano Ramos, essa obra cinematográfica conta a história de uma família nordestina que, pressionada pela seca, atravessa o sertão em busca de melhores condições de vida. No filme, a paisagem do sertão em época de estiagem é apresentada de maneira singular. Vale conferir.


Frentes de trabalho

Os municípios nordestinos passaram a contratar, em 1979, retirantes para trabalhar em obras públicas. Mesmo assim, o problema do sertanejo jamais foi solucionado. Só em 1993 a Comissão Pastoral da Terra identificou 146 ações de multidões (invasões ou saques) em 55 cidades do Ceará.





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