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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

A invenção do atraso nacional

As secas multiplicam a desolação e a fome

O sertão nordestino sempre conviveu com a seca. Apesar disso, até meados do século XIX seus governantes e a elite local não a encaravam como um problema. As atenções na época voltavam-se para a Zona da Mata e para os engenhos de açúcar. Na segunda metade do século XIX, quando o café plantado no Sudeste se transformou no principal produto de exportação do país, dirigentes e proprietários da região logo previram o término de seus dias de glória. Por isso, voltaram seus olhos para a seca e para a miséria do sertão. Afinal, em função dos problemas ali existentes, eles poderiam pleitear auxílio ao governo central.

Embora sofresse com a seca há tempos, foi somente a partir século XIX que o sertão se transformou na principal imagem do atraso do Brasil.


As grandes secas

Antes da ocupação portuguesa, as secas sucediam-se com maior ou menor intensidade. Mas a pecuária acentuou seus efeitos e a Grande Seca (1791 a 1793) tornou a vida na região bem mais difícil. Desde então, a vegetação não se recuperou.

Homens, mulheres, crianças e bois morreram em grande número. Além disso, o Rio Grande do Sul passou a vender seu charque aos mercados que antes adquiriam a carne-seca sertaneja. Isso significou uma importante perda para a economia do sertão.


Camelos e retirantes

Durante a estiagem de 1877 a 1880, pela primeira vez o governo procurou instituir uma política de salvação para a região. D. Pedro II, encantado com uma visita que fizera ao Egito, mandou importar camelos do Saara, pois pretendia criá-los para salvar o sertão. Os problemas, entretanto, eram muito mais graves. Um número de sertanejos quase quatro vezes maior do que o da população de Fortaleza ocupou a capital cearense, buscando fugir da seca. O resultado disso foram epidemias, fome, saques e crimes.

Com a seca criou-se o conceito do retirante – o homem que deixa sua terra para escapar dos efeitos da estiagem.


Campos de flagelados

Na estiagem seguinte, em 1915, para impedir que os retirantes se dirigissem à capital o governo cearense criou campos de concentração nos arredores das grandes cidades, nos quais recolhia os flagelados.

A varíola fez centenas de mortos no Campo do Alagadiço, próximo a Fortaleza, onde se espremiam mais de 8 mil pessoas na seca de 1915. A falta de condições sanitárias e de comida completou o trágico quadro.



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