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Rio de Janeiro: a capital na era do ouro

A localização do Rio de Janeiro permitia o acesso ao interior do Brasil, de onde vinham o ouro e os produtos agrícolas, e ao exterior, por meio do porto, onde desembarcavam escravos, produtos ingleses, farinha catarinense, charque gaúcho e notícias portuguesas. Por ele, saíam açúcar, aguardente, metais e pedras preciosas. Em 1808, a chegada da Família Real transformou o Rio. O príncipe regente dom João decretou a abertura dos portos às nações amigas. O movimento do porto e a população cresceram. A cidade ganhou ares europeus. Criaram-se bancos, museus e escolas. Homens e mulheres passaram a se vestir e a decorar suas casas de acordo com o gosto europeu.

Cartão-postal

Catarina Belova/Shutterstock
Leblon, com Morro Dois Irmãos ao fundo. Morro da Providência, atrás da Central do Brasil, é considerado a primeira favela do Rio de Janeiro e data dos últimos anos do século XIX
No final do século XIX, depois da proclamação da República, o governo resolveu transformar o Rio em "cartão-postal", em uma cidade tão bonita quanto Paris. A capital francesa, entre os anos de 1857 e 1860, havia passado por uma ampla reforma urbanística empreendida pelo Barão Haussmann, então prefeito da cidade. A reforma de Paris serviu de modelo para Pereira Passo, prefeito do Rio de Janeiro, que deu início a uma verdadeira mudança de fisionomia da cidade: cortiços foram derrubados, o porto foi reformado e grandes edifícios foram construídos, entre eles os da Biblioteca Nacional e do Teatro Municipal. Esse período ficou conhecido como "regeneração" – o governo considerava que a cidade estava doente e precisava de "remédios" para livrar-se da sujeira e da pobreza. Entretanto, para os mais humildes as consequências dessas intervenções urbanas foram bem problemáticas: a grande maioria foi obrigada a mudar para os morros, mangues e bairros afastados, o que aumentou as desigualdades sociais. Por isso, esse momento da história do Rio de Janeiro ficou conhecido como o "bota-abaixo".



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