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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Carlos Lamarca (1937-1971)

Gisele Toledo
Carlos Lamarca: morte no sertão baiano.
  
Nascido no Rio de Janeiro, Carlos Lamarca ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras em 1955. Em 1962, como segundo-tenente, serviu nas forças da Organização das Nações Unidas (ONU) na ocupação do canal de Suez, no Egito. Capitão do Exército, Lamarca desertou em 1969, fugindo com 63 fuzis, dez metralhadoras e muita munição. Após ser submetido a uma cirurgia plástica, enviou a mulher e os dois filhos para Cuba. Membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização guerrilheira criada por Marighella, iniciou-se na luta armada contra a ditadura, instalando-se no Vale do Ribeira.


Operação Pajussara

Por ter roubado as armas do Exército, matado um policial e participado de ações terroristas no eixo Rio–São Paulo, Lamarca vivia perseguido pela ditadura. Em 1971, ingressou no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e seguiu para o sertão baiano. Em seu encalço, entretanto, estavam as forças comandadas pelo então major Nilton de Albuquerque Cerqueira. A caçada ao capitão, batizada "Operação Pajussara", mobilizou, entre agosto e setembro de 1971, 215 militares, seis aviões, dois helicópteros, custou cerca de 200 mil dólares e teve apoio financeiro de grandes grupos empresariais.


Lamarca foi morto no dia 27 de outubro de 1971, em Pintada, na Bahia, com sete tiros, três dos quais pelas costas. Cerqueira afirmou que o guerrilheiro reagiu à prisão, mas, em 1996, seus restos mortais foram exumados e médicos legistas constataram que Lamarca fora executado. Segundo eles, o guerrilheiro estava parado quando recebeu os tiros e não oferecia risco a seus perseguidores.


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