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D. Paulo Evaristo Arns (1921)

Gisele Toledo
Dom Evaristo

Nascido em Santa Catarina, D. Paulo Evaristo Arns há muitos anos dedica-se à defesa dos Direitos Humanos. Trabalhou por dez anos com favelados em Petrópolis (RJ), visitou e ajudou presos políticos, abrigou procurados pela ditadura, denunciou as atrocidades do regime militar, lutou contra a censura. Ordenado sacerdote em 1945, abraçou, em 1968, a Teologia da Libertação. No ano seguinte, os militares proibiram-no de continuar visitando presos políticos. Só pôde reiniciar esse trabalho ao ser nomeado arcebispo de São Paulo, em 1970. Dois anos mais tarde, participou, com outros bispos, da elaboração do primeiro documento denunciando as arbitrariedades da ditadura militar.
  
Em 1973, vendeu por 5 milhões de dólares o Palácio Episcopal Pio XII, em São Paulo, e investiu o dinheiro na compra de terrenos para a construção de centros comunitários.




 Brasil: Nunca Mais
Olesia Bilkei/ShutterStock


Sob sua coor
denação, uma equipe de quase 30 pessoas selecionou e microfilmou vasta documentação dos arquivos do Superior Tribunal Militar (STM). O resultado foi o livro Brasil: Nunca Mais, a mais criteriosa pesquisa-denúncia sobre a tortura política no Brasil entre abril de 1964 e março de 1979. O trabalho de D. Paulo incomodou o Vaticano, que, em 1989, decidiu enfraquecer sua influência em São Paulo, dividindo a arquidiocese em quatro regiões episcopais.
Mesmo assim, o arcebispo continuou defendendo seus ideais. Foi favorável ao impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello (1992), bem como pregou a necessidade de ética na política. Aposentou-se em 1996, ao completar a idade-limite de 75 anos.
 


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