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Os 18 do Forte

Os 18 do Forte marcham para o confronto com as forças legalistas; no centro, à paisana, o engenheiro Otávio Correia
Em 1922, estourou, no Rio de Janeiro, o primeiro levante tenentista. Os oficiais estavam revoltados com a prisão do marechal Hermes da Fonseca, presidente do Clube Militar, ocorrida no dia 3 de julho, e com o fechamento da entidade. Pouco antes, em 29 de junho, o ex-presidente da República enviara um telegrama à guarnição militar de Pernambuco, condenando a interferência do Exército nas lutas que aconteciam entre as oligarquias pernambucanas devido às eleições para o governo daquele Estado. Ao saber do telegrama, o presidente Epitácio Pessoa mandou fechar o Clube Militar e prender Hermes da Fonseca.

Os tenentes rebelam-se

Inconformados com a prisão, os tenentes prepararam-se para um levante. No caminho entre o Forte de Copacabana e o Farol do Forte, cavaram trincheiras e minaram todo o território. A revolução começaria à 1 hora do dia 5 de julho, no Forte de Copacabana. À 1h20, o tenente Siqueira Campos deu início à revolta, com disparos de canhão. As tropas legalistas reagiram e, durante todo o dia 5, o Forte foi bombardeado. No dia 6, os rebeldes liberaram aqueles que não queriam combater. Dos 301 amotinados, 29 decidiram permanecer na luta.

Os rebeldes vão às ruas
O Rio pitoresco: praia de Botafogo, em imagem da revista Careta de 8 de janeiro de 1916

Os que ficaram mudaram de tática. Em vez de permanecerem no Forte ou bombardearem a cidade, foram às ruas para enfrentar as tropas legalistas. Os 29 homens saíram pela Avenida Atlântica, mas durante o percurso alguns deles debandaram. Sobraram apenas dezessete. No trajeto, o engenheiro civil Otávio Correia viu os insurgentes e decidiu acompanhá-los. Do embate com as tropas governamentais resultou a morte de 16 combatentes e dois feridos. Os Dezoito do Forte foram os precursores do movimento tenentista.

Houve tiroteio e apenas dois tenentes sobreviveram: Siqueira Campos e Eduardo Gomes.



A Revolução Paulista (1924)

Em 5 de julho de 1924, exatamente dois anos depois do levante do Forte de Copacabana, os tenentes voltaram a se rebelar. Dessa vez, o movimento começou em São Paulo, alastrando-se para Mato Grosso, Sergipe, Amazonas e Rio Grande do Sul. Contando com o apoio da Força Pública do Estado de São Paulo e do Exército, os rebeldes queriam derrubar o governo de Artur Bernardes e assumir o poder. Conseguiram prender Abílio Noronha, comandante da 2ª Região Militar. O governador do estado de São Paulo, Carlos Campos, a conselho dos militares refugiou-se nos arredores da cidade. Mas o levante chegou a seu fim no dia 27 do mesmo mês devido à forte repressão das tropas governistas. Os revoltosos saíram da cidade e se reorganizaram no interior para partir ao encontro das tropas do Rio Grande do Sul sob o comando do capitão Luís Carlos Prestes e do tenente João Alberto.

Após 22 dias de intenso bombardeio, as tropas legalistas cercaram os rebeldes paulistas e puseram fim à revolução no dia 27 de julho. Os revolucionários concentraram-se na região de Foz do Iguaçu.

Levante no Sul

Nos dias 28 e 29 de outubro, os tenentes organizaram levantes em várias cidades do Rio Grande do Sul. O capitão Luís Carlos Prestes tomou Santo Ângelo, lançando um manifesto em que atacava o capitalismo estrangeiro. Os rebeldes dominaram as cidades por três dias e decidiram fugir em direção a Foz do Iguaçu, para se juntar às tropas paulistas.

Encouraçado São Paulo

Ao mesmo tempo em que os tenentes gaúchos se rebelavam, os marujos do encouraçado São Paulo, atracado na baía de Guanabara, sublevaram-se sob o comando do tenente da Marinha Hercolino Cascardo. Sem forças para enfrentar as tropas legalistas, os tripulantes seguiram com o encouraçado até Montevidéu, no Uruguai, onde pediram asilo político. Depois, aliaram-se às tropas gaúchas.

 


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