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A mão de obra indígena

Índia Apiaká em Diamantino
de Mato Grosso, obra de H. Florence, 1828

A necessidade de braços para cortar e transportar o pau-brasil para o litoral, logo após o descobrimento, em 1500, fez com que os portugueses impusessem aos índios o trabalho compulsório.

A partir de 1550, a decisão de incrementar o tráfico da África para o Brasil tornou a escravidão dos negros mais interessante, principalmente nos aspectos econômicos, para a Coroa portuguesa.

Apesar de ter sido intensa e tão cruel quanto a escravidão do negro africano, a escravidão indígena é pouco conhecida, sendo tratada de maneira quase secundária pela historiografia.

A oposição da Igreja
Máscara de Índio: Cabeça de Macaco, aquarela sobre papel, de Jean-Baptiste Debret

Houve intensos conflitos entre os jesuítas, os colonos e a Coroa por causa do cativeiro indígena. Os missionários tinham como missão na Colônia converter os índios à doutrina cristã. Por isso, reuniam-nos em aldeamentos, locais em que os indígenas eram catequizados, rompendo sua estrutura tribal e eliminando seus rituais e seus costumes típicos.

Os índios também trabalhavam nas roças e nas oficinas dessas reduções. Muitas vezes, os jesuítas conseguiram que a escravidão dos índios fosse proibida, principalmente aqueles que estavam nos aldeamentos, fator este que intensificou os conflitos entre jesuítas e colonos. Até 1758 os colonos obtiveram a anulação dos decretos. Naquele ano, a Coroa determinou a libertação definitiva dos indígenas.

Apesar da proteção que os missionários demonstravam ter em relação aos indígenas, impuseram os costumes e o modo de vida europeu sem considerar e respeitar a cultura e as singularidades dos diferentes povos nativos do Brasil. 


As bandeiras de apresamento

Com o desenvolvimento das atividades agrícolas, aumentou a procura pelo trabalho indígena em toda a costa brasileira. Essa necessidade estimulou muitas expedições de bandeirantes à captura de índios, principalmente na região dos atuais estados de São Paulo e do Paraná.

Estima-se que 300 mil índios foram mortos ou capturados entre 1618 e 1650. As bandeiras de apresamento perderam a força após a oficialização do tráfico negreiro, em meados de 1570.


O trabalho indígena na região amazônica

Na região do Maranhão não havia escravos negros até o final do século XVII. Os colonos portugueses, que ali aportaram em busca de enriquecimento, escravizaram o indígena. A forte oposição dos jesuítas acabou em confrontos entre colonos e padres, e os maranhenses expulsaram os jesuítas da região em 1684.

Nas regiões de São Vicente, do Rio de Janeiro e do Pará, além do Maranhão, o trabalho indígena caracterizou a colonização até meados do século XVIII.



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