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A escravidão africana

Descendente de escravos em Philipsburg, no Caribe
No século XV os portugueses também conquistaram a costa africana. Com o apoio de alguns chefes tribais, deram início à captura de homens e mulheres para o trabalho escravo.

Esse comércio era feito na forma de escambo – pessoas em troca de armas, pólvora, tecidos, espelhos, aguardente e fumo.

A escravidão negra também foi adotada na colonização de outros países, entre eles os da região do Caribe e dos Estados Unidos.


Por que trazer os escravos da África?

A boa experiência com o trabalho africano na produção de açúcar em São Tomé e na Ilha da Madeira, outras possessões portuguesas, fez com que os senhores de engenho do Brasil pressionassem a vinda de escravos negros para suas fazendas.

As longas viagens, a mistura das tribos, as distâncias dentro do próprio território e o temor dos constantes maus-tratos contribuíram para subjugar os negros ao trabalho forçado.

Os lucros com o tráfico negreiro faziam parte do sistema mercantilista com o qual Portugal enriquecia.


Condições de aprisionamento e de viagem

Gravura inglesa do século XIX mostra a violência das caçadas e do apresamento de negros na África
A captura de negros no interior da África era feita pelos chamados pombeiros, que voltavam de cada investida com centenas de escravos. No litoral, os prisioneiros eram separados em grupos indistintos e embarcados em diversos navios negreiros, também chamados de 'tumbeiros', com destinos diferentes. A viagem de Angola a Pernambuco durava no mínimo 35 dias.

Os negros vinham acorrentados em porões superlotados, úmidos e com pouca ventilação. Pelo menos 40% deles morriam durante o trajeto. As condições eram tão desumanas que, em 1684, Portugal baixou uma instrução criando condições mínimas para essas travessias. A lei definia certa quantidade de água para cada pessoa e três refeições diárias.

O mercado de escravos

Traficantes de escravos em ação, e a
degradante inspeção de negras recém-desembarcadas da África
Ao desembarcarem no Brasil, os negros eram reunidos em grandes galpões. Era preciso melhorar sua aparência física antes de serem vendidos: recebiam alimentação especial para recuperar o peso perdido durante a viagem.

Para ficarem mais vistosos, seus corpos eram besuntados com óleo de palma, e suas gengivas e dentes eram esfregados com raízes cítricas. Tinham as cabeças raspadas e eram marcados com um ferro em brasa no ombro, na coxa ou no peito.

Havia leilões públicos de lotes de escravos, e seus preços variavam conforme a demanda ou a caracterização do grupo – homens e mulheres fortes valiam mais do que crianças ou idosos. As vendas também eram feitas diretamente ao fazendeiro, por encomenda, e com o preço previamente fixado.


Posição da Igreja Católica
Convento de São Francisco, em Olinda, Pernambuco

Contrária à escravização dos índios, a Igreja Católica nada fazia contra a escravidão negra. Ao contrário, mantinha seus próprios escravos.

Nicolau V, Papa de 1447 a 1455, chegou a assinar uma ordem dando aos portugueses a exclusividade da captura de escravos negros na África. Essa posição repetiu-se em 1456 e em 1481, com os Papas Calixto III e Sixto IV.


Estratégias de 'amansamento'

Enquanto esperavam pelo leilão nos galpões, muitas vezes os negros, ainda não domesticados, eram obrigados a presenciar um açoitamento no pelourinho para se intimidarem. Os castigos físicos eram comuns nas propriedades, mas só aplicados aos negros que não se submetiam ao trabalho forçado.

A Igreja ficava com 5% do valor de cada escravo vendido no Brasil.



Condições de vida e trabalho

Escravo com mascara de flandres, aquarela sobre papel de Jean-Baptiste Debret
O escravo do engenho de açúcar tinha um ritmo de trabalho pesado. Do corte da cana à moenda e aos tachos, o senhor controlava cada passo de seus homens.

A vida dos escravos domésticos era um pouco menos árdua. Alguns escravos especializavam-se como carpinteiros, pedreiros ou pintores de parede, e podiam ser alugados por seus donos para serviços em outras propriedades.

Algumas escravas contribuíam para a riqueza de seu dono saindo às ruas com um tabuleiro de doces ou com rendas para vender. Muitas vezes, podiam ficar com parte do dinheiro, que economizavam para comprar sua alforria.

Uma banca do mercado, água-tinta colorida de H. Chamberlain: fixa cena comum nos centros urbanos do Brasil no século XIX





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