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Resistência e quilombos

Escravos fardados carregam dama em liteira, em obra de João Maurício Rugendas
Os negros africanos não aceitaram passivamente a escravidão. Por isso, os senhores preocupavam-se em resgatar os fugitivos, castigar os rebeldes e manter funcionários livres para conter os escravos. Havia muitas formas de rebelião individual: fugas, suicídio, uso de magia negra ou envenenamento do senhor. Em casos mais radicais, um escravo enraivecido podia até matar seu proprietário ou o feitor.

Os quilombos começaram a proliferar no século XVII. Neles, os negros cuidavam das próprias lavouras e até comercializavam produtos nas cidades mais próximas. O tamanho dessas comunidades variava, indo de algumas centenas de homens e mulheres até cerca de 30 mil pessoas.

Muitos escravos fugitivos reuniam-se em quilombos, nos quais se organizava uma sociedade mais parecida com a das tribos africanas.

O Quilombo dos Palmares
Zumbi: o último grande líder do Quilombo dos Palmares

Localizado no Sul da capitania de Pernambuco, hoje estado de Alagoas, o Quilombo dos Palmares foi o mais famoso entre os redutos de negros fugidos.

Surgiu no final do século XVI, após uma revolta de escravos em um engenho no Sul de Pernambuco. Foi destruído em 1695.

Outros quilombos importantes foram os de Trombetas, no Pará, e o do Buraco do Tatu, nas montanhas ao redor de Salvador.



Decadência do sistema escravagista
Preparo da farinha de mandioca nas dependências de um antigo quilombo no interior de Pernambuco

As pressões inglesas para acabar com o tráfico negreiro a partir do fim do século XVIII intensificaram-se ano a ano.

Os ingleses começaram a se importar com o conceito de igualdade após a Revolução Industrial (cerca de 1750). Isso porque, para ampliar o mercado consumidor de seus produtos manufaturados, era necessário multiplicar também o número de trabalhadores assalariados.

A Inglaterra também queria o fim do tráfico devido à concorrência do açúcar brasileiro com o produzido nas Antilhas.



Antecedentes da abolição:

  • Em 1826, a Inglaterra conseguiu do Brasil um tratado que, três anos após a sua ratificação, declararia ilegal o tráfico negreiro; porém, esse esforço não vingou e a lei não foi cumprida.

  • Em 1845, o Parlamento inglês aprovou o tratado Bill Aberdeen, que legitimou o ataque a navios negreiros como se fossem embarcações piratas.

  • Em 1850, o então ministro da Justiça, Eusébio de Queirós, apresentou ao Parlamento um projeto de lei para acabar com o tráfico negreiro. O projeto converteu-se em lei em setembro do mesmo ano.

  • As revoltas e fugas foram se multiplicando, tornando a repressão cada vez mais difícil.

  • A partir de 1870, os escravos começaram a receber ajuda da população urbana, incluindo brancos abolicionistas. Após 1874, a população escrava do Brasil diminuiu consideravelmente. A média geral desse declínio nos dez anos seguintes foi de 19,5%.



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