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O Cavaleiro da Esperança

Luiz Carlos Prestes (1898-1990)
Luís Carlos Prestes despontou como grande líder durante a Coluna que leva seu nome. Depois disso, no entanto, sua vida tomou rumos surpreendentes.

Nascido em Porto Alegre, em 1898, Luís Carlos Prestes estudou engenharia na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1909. Vítima de febre tifoide, não participou diretamente das revoltas tenentistas – apesar de ter comparecido a algumas reuniões preparatórias do movimento, em 1922, ainda no Rio de Janeiro.

Transferido para Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, comprometeu-se com o movimento revolucionário de 1924, que se propunha a depor o presidente Artur Bernardes. Deixou o exército para comandar as tropas que participariam da Coluna Prestes. Com o fim do movimento, foi para a Bolívia trabalhar em obras de saneamento e abertura de estradas.

Em 1928, transferiu-se para a Argentina, onde trabalhou como engenheiro. Estudou o marxismo e aderiu ao socialismo. Em 1930, criou a Liga de Ação Revolucionária (LAR), organização que não conseguiu adesões e logo foi extinta. Em novembro de 1931, foi morar na União Soviética a convite do governo daquele país.

Em Moscou, trabalhou como engenheiro e estudou profundamente o marxismo-leninismo. Em agosto de 1934, tornou-se membro do PCB e, logo depois, participou de uma reunião na União Soviética na qual ficou decidida a revolução armada no Brasil, sob comando de Prestes. Em dezembro daquele ano, voltou para o Brasil para viver na clandestinidade, acompanhado por Olga Benário, militante da Internacional Comunista, com quem se casara.

No início de 1935, foi aclamado presidente de honra da Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente política que aglutinava tenentes decepcionados com o governo Vargas, socialistas e comunistas, unificados por um programa de conteúdo antifascista e anti-imperialista. Em julho, no entanto, divulgou manifesto em que exigia a derrubada do governo e todo o poder à ANL.

Vargas aproveitou o fato para jogar a ANL na ilegalidade. Em novembro, a insurreição teve início na cidade de Natal (RN), seguida por guarnições do Exército em Recife e no Distrito Federal, mas foi facilmente controlada pelo governo.

A repressão aos grupos de oposição foi violenta e, em março de 1936, Prestes e Olga Benário foram presos. Ela, mesmo grávida, foi entregue pelas autoridades brasileiras ao regime nazista da Alemanha, onde morreu executada. A filha do casal, Anita Leocádia Prestes, nasceu no campo de concentração e foi resgatada pela avó paterna, após intensa campanha internacional.

Prestes foi libertado em 1945, após a redemocratização do país. Foi criticado ao se aproximar de Vargas, que, segundo ele, deveria conduzir a reconstitucionalização do país e o processo de sucessão presidencial. Eleito senador pelo Distrito Federal, dois anos depois teve o mandato cassado, quando o PCB foi novamente colocado na clandestinidade. Tornou-se novamente opositor de Vargas e, em 1955, apoiou a eleição de Juscelino Kubitscheck.

Com o golpe militar de 1964 voltou mais uma vez para a clandestinidade. Em 1971, exilou-se na União Soviética, voltando ao Brasil apenas em 1979, já anistiado. Sérias divergências no interior do PCB levaram-no a deixar a secretaria geral do partido – o rompimento seria total algum tempo depois. Morreu no Rio de Janeiro, em 1990 aos 92 anos de idade.

 



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