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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Diário da viagem

Semana após semana, os dias passavam sem grandes novidades nos navios. Parte dos marinheiros tratava da limpeza e da arrumação. Também era preciso molhar o convés – o piso da embarcação – para que ficasse sempre úmido, impedindo que as madeiras rachassem sob o sol.

Além disso, qualquer vazamento precisava ser consertado imediatamente. Havia ainda as velas e os cabos, que tinham de estar sempre em bom estado. A tripulação reunia-se nas refeições e nas missas, rezadas todos os dias. A água era muito racionada e a comida variava pouco: carne seca ou salgada, peixe, arroz, queijo, cebola, alho e muitos biscoitos – que emboloravam com a umidade, mas eram consumidos assim mesmo. Os homens não ligavam muito para a higiene e os navios vinham abarrotados de ratos, baratas e piolhos, contribuindo – e muito – para a proliferação das doenças.

A mais grave delas era o escorbuto, causado pela falta de vitamina C, encontrada nas frutas cítricas (como o limão e a laranja) que não existiam a bordo dos navios nos séculos XV e XVI. Mas nem tudo era trabalho ou sofrimento. Apesar da proibição dos religiosos, os marinheiros também se divertiam: tocavam instrumentos musicais, cantavam, jogavam cartas e dados.

Curiosidade e medo

Aventurar-se no mar, principalmente no oceano Atlântico, exigia muita coragem. Pouco se sabia o que podia haver naquela imensidão de água. Assim, a imaginação corria solta e o desconhecido podia reservar o paraíso ou o inferno. As lendas falavam de monstros terríveis, peixes apavorantes, canibais (cujos rostos ficavam no peito), pedras que atraíam as embarcações para o fundo das águas e ares venenosos. Foram necessários muitos anos e diversas viagens ultramarinas para que as fantasias dessem lugar a informações precisas e de confiança.
 

A escola de Sagres

Apesar do nome, Sagres não era uma escola como conhecemos hoje. Fundada por D. Henrique, o Navegador, tratava-se de uma reunião de sábios, matemáticos, astrônomos, cartógrafos que pesquisavam como melhorar a arte da navegação.

Sagres foi fundamental para o sucesso das grandes navegações. Os seus especialistas aperfeiçoaram instrumentos de navegação como a bússola, o astrolábio, o quadrante, a balestrina e o sextante. Desenvolveram a cartografia moderna e foram os primeiros a calcular com precisão a circunferência da Terra em léguas.


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