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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

A expansão feita pelos mares

Portugal foi a primeira nação europeia a fazer longas viagens marítimas na Idade Moderna. Seu objetivo era monopolizar o comércio de produtos orientais de luxo – sedas, tapetes, porcelanas – e de especiarias – pimenta, cravo, canela, gengibre, noz-moscada. Esses produtos eram muito apreciados; eles disfarçavam o gosto da carne, que devia ser salgada para não estragar. Esses artigos chegavam a Portugal com preços muito altos: do Oriente, eram levados para Constantinopla – um importante centro comercial na época (hoje Istambul, na Turquia) – por caravanas de mercadores árabes.

Os mercadores vendiam os produtos aos italianos, que os revendiam ao restante da Europa. Para fugir desse controle feito por árabes e italianos era necessário alcançar a Ásia, contornando a África. Portugal reunia as condições necessárias para isso: tinha um governo centralizado e apoiado por ricos negociantes que queriam participar desse comércio vantajoso, contava com navegadores experientes e com a ajuda da Igreja, que pretendia espalhar o cristianismo pelo mundo.

A conquista de Ceuta, em 1415, marca o início da exploração da costa ocidental africana. Em 1434, Gil Eanes ultrapassa o Cabo Bojador, também conhecido como Cabo do Medo. Em 1488, o navegador Bartolomeu Dias dobra o Cabo das Tormentas, rebatizado-o de Cabo da Boa Esperança. Em 1498, Vasco da Gama finalmente chega às Índias.

Uma viagem controversa

Em 1499, D. Manuel nomeou Pedro Álvares Cabral capitão-mor da armada que faria a primeira expedição à Índia após o retorno de Vasco da Gama. Entre a tripulação estavam navegadores experientes, como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho. A frota partiu de Lisboa em 9 de março de 1500 com a missão de fundar uma feitoria na Índia.

A dúvida que paira é se a esquadra portuguesa chegou ao Brasil por acaso, conduzida por correntes marítimas desconhecidas, ou se já havia conhecimento anterior do Novo Mundo e Cabral estava incumbido de uma espécie de missão secreta, pela qual devia tomar posse das novas terras. A controvérsia começou no século XIX e até hoje os historiadores não chegaram a uma conclusão definitiva.

Tudo indica que a expedição de Cabral foi destinada às Índias. Isso não elimina a probabilidade de navegantes europeus, sobretudo portugueses, terem frequentado a costa do Brasil antes de 1500.

Fique ligado!

Diversos documentos históricos mostram que, antes de Cabral, outros navegadores já haviam desembarcado nas costas brasileiras. É o caso de Duarte Pacheco Pereira que, em 1498, teria inspecionado o litoral brasileiro entre o Maranhão e o Pará em missão secreta. Essa hipótese gira em torno de seu manuscrito, intitulado Esmerado de Situ Orbis, produzido entre 1505 e 1508. Trata-se de um relato das viagens de Duarte Pacheco não só no litoral do Brasil, mas também na costa da África, principal fonte de riqueza de Portugal no século XV. O rei D. Manuel I considerou tão valiosas as informações náuticas, geográficas e econômicas contidas no documento que jamais permitiu que este fosse tornado público. Além de Duarte Pacheco, os espanhóis Vicente Yañez Pinzón e Diego de Lepe aqui aportaram entre janeiro e março de 1500.


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