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Aliados contra o Irã

Nem sempre o Iraque foi considerado uma ameaça pelos Estados Unidos. Muito pelo contrário. Durante a década de 1980, esses dois países foram grandes aliados contra o fundamentalismo islâmico instalado no Irã.



A ameaça do fundamentalismo islâmico

Soldados iraquianos patrulham o território
A história das relações entre o Iraque e os Estados Unidos tem início com um importante fato ocorrido no Irã: a Revolução Iraniana, também chamada Revolução Fundamentalista. Em 1979, o aiatolá Khomeini derrubou o governo do xá Reza Pahlevi, iniciando uma política interna e externa marcada por um forte sentimento 'antiocidental'. Essa revolução, em plena época da Guerra Fria, foi capaz de unir Estados Unidos e União Soviética contra um "inimigo" comum. Afinal de contas, não interessava a nenhuma das superpotências da época que um possível sucesso do novo governo iraniano incentivasse outras revoluções islâmicas no Oriente Médio. Para os Estados Unidos, se mais países se tornassem 'antiocidentais', o suprimento de petróleo para os países capitalistas poderia ser prejudicado. Já a antiga União Soviética temia que suas repúblicas do Sul – que faziam fronteira com o Irã – fossem tomadas por governos fundamentalistas, opondo-se ao domínio soviético.

Saiba mais:

Dentro do islamismo xiita, o aiatolá é o lider que ocupa o posto mais alto da hierarquia religiosa. Ele é eleito por ser considerado um indivíduo com extremo conhecimento acerca das práticas e crenças mulçumanas. A palavra aitolá deriva da união dos termos ayah, que significa sinal, e allah, isto é, Deus. Sendo assim, o aiatolá é visto como um “sinal de Deus”.


O ataque do Iraque

Por tudo isso, quando Saddam Hussein (que tinha tomado o poder no Iraque também em 1979, a frente do partido Baath) decidiu atacar o Irã, teve apoio tanto dos norte-americanos quanto dos soviéticos. Saddam pretendia se aproveitar do momento turbulento pelo qual passava o Irã para tomar posse da região do pequeno rio Chatt El-Arab, localizado na confluência dos rios Tigre e Eufrates. A disputa dos dois países pelo local já tinha algum tempo: o controle da área facilitaria a saída do Iraque para o Golfo Pérsico e, consequentemente, o escoamento de sua produção de petróleo. Além disso, a derrota do Irã transformaria o Iraque na maior potência militar do Oriente Médio. Apoiado pelas duas superpotências da época, Saddam lançou uma ofensiva maciça.

O ataque de Israel

Em 7 de junho de 1981, Israel, preocupado com o crescimento do poder militar do Iraque, bombardeou e destruiu a central nuclear de Osirak, em território iraquiano. A justificativa para a ação foi o fato de que o reator nuclear poderia ser utilizado na fabricação de artefatos nucleares.

Entenda melhor sobre a região de interesse dos iraquianos durante a guerra contra o Irã


Potência militar

Ao contrário do que os iraquianos imaginavam, o Irã resistiu. E a guerra se estendeu por longos oito anos (1980-1988). Ao final da guerra, os dois países haviam tido imensas perdas materiais e humanas: aproximandamente 300 mil iraquianos e 400 mil iranianos mortos. Ironicamente, as fronteiras na região do rio Chatt El- Arab – grande pomo da discórdia – permaneceram inalteradas. Em compensação, graças aos armamentos recebidos dos Estados Unidos, da União Soviética e outros aliados, o Iraque saiu do conflito como uma das três maiores potências militares do Oriente Médio.


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