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Agora, inimigos


No final da década de 1980, a situação se inverteu. O Iraque se transformou no maior inimigo do governo norte-americano, na época liderado por George Bush, pai do também ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

Guerra do Golfo

Apesar do poderio militar, o Iraque saiu da guerra contra o Irã em péssimas condições econômicas. Para atenuá-las, Saddam Hussein decidiu invadir o Kuwait, em agosto de 1990. Além dos interesses petrolíferos (somando as reservas dos dois países, o Iraque se tornaria proprietário das maiores reservas do Oriente Médio), Saddam pretendia tornar-se líder do mundo árabe. Os pretextos para a invasão, no entanto, foram outros:

• O Kuwait não seria realmente uma nação separada do Iraque, mas apenas um Estado fundado pela Grã-Bretanha, por interesses imperialistas.

• O Kuwait teria provocado uma baixa no preço do petróleo ao vender mais do que a cota estabelecida pela Opep.

• O Kuwait deveria perdoar a dívida contraída pelo Iraque durante a guerra contra o Irã.

• O Kuwait deveria pagar uma indenização ao Iraque, por ter extraído petróleo de campos iraquianos na região de Rumaila, que faz fronteira entre o dois países.


Sentindo-se ameaçados por essa primeira crise mundial após o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos – na época sob o governo de George Bush – e seus aliados (Síria, Arábia Saudita e União Soviética, entre outros) organizaram uma operação militar em grande escala. Em 17 de janeiro de 1991, os norte-americanos lançaram a ofensiva denominada "Tempestade no Deserto". O Pentágono realizou uma exibição do poderio armamentista dos Estados Unidos, televisionada diretamente do local. O Iraque se retirou do Kuwait, não sem antes incendiar centenas de poços de petróleo, o que causou um desastre ecológico sem precedentes. A ONU estabeleceu sérias sanções militares e econômicas ao país.

Período entre guerras

Um novo confronto entre Estados Unidos e Iraque aconteceria em 1998. Mas foi precedido por uma série de incidentes. Acompanhe:

• Em 1992, técnicos da ONU desmantelaram complexos industriais iraquianos usados para a fabricação de armas químicas e instalações nucleares.

• Em 1993, Saddam Hussein impediu a entrada de outra equipe de técnicos da ONU, que pretendiam destruir instalações militares que desrespeitavam o cessar-fogo. Os Estados Unidos, então, deram início a bombardeios sistemáticos contra o Iraque, até que os enviados da ONU pudessem entrar no país.

Mesmo nos períodos em que a guerra não era oficial, os confrontos armados entre os dois países eram comuns
• Em 1994, ameaçado pelos Estados Unidos com uma nova ação militar, o Iraque retirou suas tropas da fronteira com o Kuwait e reconheceu a soberania do país vizinho.

• Em 1995, a ONU acusou formalmente o Iraque de esconder estoques de armas biológicas. O embargo econômico foi mantido.

• Em 1996, após muitas negociações, algumas sanções foram suspensas. O novo acordo permitia ao Iraque vender petróleo em quantidade limitada, para poder comprar comida e remédios.

• Em 1997, o governo iraquiano impediu mais uma vez a entrada de técnicos da ONU no país. Após ameaças dos Estados Unidos, os dois países fizeram um "semiacordo": os norte-americanos tornaram mais flexível o mecanismo que limitava a exportação de petróleo iraquiana, e o Iraque tornou-se mais tolerante com a presença dos técnicos norte-americanos da ONU em seu território.

"Raposa do Deserto"

Os atritos continuaram. Mas em 1998, os Estados Unidos resolveram fazer uma retaliação militar. Em dezembro daquele ano, norte-americanos e ingleses iniciaram uma série de ataques a alvos iraquianos, atingindo não só bases militares, mas locais de concentração da população civil. A ação foi criticada pelos outros países do Conselho de Segurança da ONU – França, Rússia e China –, que defendiam uma saída diplomática da crise. Os Estados Unidos cessaram os bombardeios, mas as tensões na área estavam longe de acabar.


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