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A crise da Igreja Católica

Morphart Creations inc./Shutterstock
Catedral de Saint Hedwig, Berlim
A difusão das ideias humanistas na Europa provocou um aumento das críticas à Igreja Católica. O racionalismo, o individualismo e o antropocentrismo clamavam por um cristianismo mais revigorado e coerente com os "novos tempos". Denunciavam-se, em especial, as riquezas da Igreja, os privilégios fiscais das propriedades eclesiásticas, a forma de vida de parte do alto clero e o abuso na aplicação e venda das indulgências. Um bom número de autoridades eclesiásticas se dedicava ao estudo, relegando aos seus subordinados as tarefas espirituais.

Ademais, temos de ressaltar que houve nesse mesmo período uma crise religiosa. As epidemias, a fome e as guerras atingiram fortemente a Europa como um todo. Com isso, utilizando as palavras de Flávio Luizetto, ocorria uma "desorganização econômico-social na Europa".


A crise agrícola e suas consequências

Durante o século XIV, o solo chegou ao limite da produtividade. Com isso, as safras de cereais, base da alimentação europeia, foram seguidamente comprometidas. Isso comprometeu todo o abastecimento das cidades, ocasionando crises de fome e, consequentemente, deixando as populações vulneráveis às epidemias.

Em suma, esses problemas ocasionaram a morte de muitas pessoas, e acabaram por afetar ainda mais a produção de alimentos, pois quem mais sofria com a falta de alimentos eram exatamente as classes trabalhadoras. Com isso, faltaram cada vez mais braços para a produção.

Além da crise, o êxodo rural foi massivo, diversos camponeses foram para a cidade buscando proteção e trabalho. Com isso, as estradas, os diques e as plantações foram tomadas pelas florestas. Mas isso agravou ainda mais a situação calamitosa em que se encontravam as cidades, pois aumentou a falta de alimentos, uma vez que os responsáveis por sua produção haviam migrado. Enfim, estava pronto o cenário para o caos, que foi conhecido por meio das revoltas e agitações urbanas.


As lutas e agitações no século XIV


Numa situação de calamidade pública como a que ocorria na Europa, não havia outro caminho para a população senão a violência. Essa aparecia de três formas:
  • Violência espontânea: Era a violência que não tinha nenhum planejamento. Ela eclodia em resposta às péssimas condições de vida das cidades. A população mais pobre se rebelava e efetuava saques aos mais ricos, mas sem nenhuma reivindicação.

  • Banditismo: Tinha uma origem organizada. Bandos assaltavam os mercadores nas principais rotas de comércio, invadiam e se apossavam de aldeias. Mas sem nenhuma ideia para mudar o modo de vida.

  • Rebeliões camponesas: Eram revoltas com alguns ideais de mudança. Mais bem organizadas, possuíam reivindicações sociais e econômicas (melhoria nas condições de trabalho, aumento dos salários, contra a coleta de impostos etc.).

Os interesses por trás da Reforma Religiosa


O conflito entre o universalismo da Igreja e o processo de centralização monárquica trouxe para o cenário europeu tensões. A venda de indulgências foi somente uma das causas, mas por trás da reforma religiosa existiam interesses de todas as classes.

Os monarcas da Idade Moderna não estavam mais dispostos a aceitar as constantes interferências da Igreja nos assuntos internos das monarquias nacionais, por isso viam o protestantismo com bons olhos, pois era um motivo para limitar ou mesmo anular o poder da Igreja em seus territórios.

Já a nobreza via no avanço do protestantismo uma possibilidade de enriquecimento, pois a Igreja era proprietária de vastos territórios que, após a Reforma, poderiam ser tomados e redistribuídos entre os nobres, o que repararia o prejuízo fruto da decadência do modelo feudal.

Os setores populares também se viram representados, principalmente na doutrina Luterana, pois viam nela um discurso de liberdade e uma possibilidade de romper com os laços feudais que ainda os prendiam. Entretanto, Lutero tratou de se manifestar contra as revoltas camponesas, como veremos no texto sobre as revoltas camponesas.

Contudo, o apoio decisivo foi o da burguesia que era a mais prejudicada com a mentalidade religiosa feudal, uma vez que essa condenava o lucro e inviabilizava o desenvolvimento do comércio. Por isso, os mercadores viam no protestantismo uma possibilidade de desenvolver-se sem restrições ideológicas. Dessa forma não é difícil encontrar referências ao desenvolvimento do capitalismo ao protestantismo, em especial o Calvinismo.



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