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A Reforma Luterana

Georgios Kollidas/Shutterstock
Martinho Lutero, responsável pela Reforma Protestante no Sacro Império Romano Germânico. Posteriormente, suas ideias se espalharam e deram origem a outros movimentos contestatórios
As reivindicações de Martinho Lutero, diferentemente do que se propaga, não foram somente críticas à venda de indulgências, foram críticas claras às doutrinas propagadas pelo papado romano. Eram três doutrinas principais, que iam diretamente contra aquilo propagado por Roma, a saber:

- Justificação pela fé: Embasado na passagem “O Homem está Justificado pela fé, independentemente de obras”. Com disso, Lutero concluiu que nenhum dos atos mundanos (obras caridosas, doações de terras e dinheiro etc.) podiam contribuir para a salvação, somente a fé poderia salvar o homem. Ao propagar essa doutrina, Lutero confronta a ideia da venda de indulgências.

- Sacerdócio universal: Lutero acreditava que todos poderiam propagar a fé, pois perante Deus todos eram capazes de entender suas palavras. Com isso, rompia com o estamento clerical. Para corroborar sua ideia, Lutero utilizou a passagem: “Vós sois uma linhagem escolhida, um real sacerdócio, uma nação santa”.

- Doutrina da infalibilidade única da Bíblia: Lutero, para legitimar as duas doutrinas acima, tomou a Bíblia como única fonte da verdade divina. Enfim, a Bíblia era o único instrumento que Deus deixou para se comunicar com o homem. Com isso, Lutero rompe com a importância do estamento clerical, uma vez que esses perdem o caráter de intermediários entre os homens e Deus.

Em suma, por meio dessas doutrinas propostas, Lutero entrou em choque com os dogmas propagados pelo papado romano, colocando em xeque a crença na legitimidade da Igreja.

Enfim, a Reforma Luterana teve seu início com a divulgação das 95 teses contestatórias do modelo religioso adotado até então. O texto foi afixado por Martinho Lutero na porta da Igreja de Wittenberg, em 1517.

Em 1518 o Papa Leão X abriu um processo contra Lutero. Nesse momento Lutero era visto como um líder de uma pequena rebelião clerical. A Igreja deixou a cargo de Lutero a escolha: ou assumiria as consequências ou teria de se retratar. Lutero se manteve firme em suas convicções, agravando sua situação junto à Igreja.

Em 1520, Roma, após analisar as teses de Lutero, considerou 41 das 95 teses de Lutero heréticas, por isso ordenou que os fiéis destruíssem as obras luteranas. Contudo, as ideias já haviam se propagado e ganhado muitos adeptos.

Lutero, em resposta à sua acusação, queimou em público a bula papal. A Igreja, em represália a essa atitude, excomungou Lutero em 1521. Contudo, Lutero já tinha o apoio de algumas camadas da população, dentre elas a nobreza do Sacro Império, por isso, após algumas manobras políticas, a religião Luterana foi autorizada no território germânico.


A consolidação da nova doutrina

Na Dieta de Worms (1521), Lutero foi condenado ao banimento, mas, acolhido pelo príncipe Frederico da Saxônia, traduziu a Bíblia para o idioma germânico. Na Dieta de Spira (1529), o imperador decidiu aceitar a nova doutrina nas áreas convertidas, mas procurou conter o avanço luterano proibindo-o no restante do país, o que gerou protestos. Finalmente, na Dieta de Augsburgo (1530), a não resolução da questão provocou violentas lutas entre o imperador e a nobreza alemã após a apresentação formal da doutrina luterana.

As desavenças entre o imperador e os reformistas somente foram resolvidas com a Paz de Augsburgo (1555), quando o luteranismo foi oficialmente reconhecido e os príncipes alemães ganharam o direito de impor sua religião a seus súditos.

Para lembrar
A religião luterana predominou nos Estados do Norte, enquanto nos do Sul permanecia o catolicismo, determinando para a Europa Central, em especial ao Sacro Império, a fragmentação religiosa e política. 


A revolta camponesa

O ambiente de mudanças chegou ao campo, onde as duras obrigações servis começaram a ser contestadas, ameaçando as bases da estrutura feudal. Diversos foram os reformadores que tomaram como questão base a problemática campesina, a saber: Baltasar Hubmaier, Andreas Bodenstein etc. Contudo, o que mais se destacou foi Thomas Muntzer.

Thomas Muntzer foi um discípulo de Lutero em Wittemberg. Contudo, foi um dos discípulos expulsos de Wittemberg. Lutero, utilizando sua influência, conseguiu que Muntzer fosse nomeado pastor em Zwickau.

Em Zwickau, Thomas Muntzer encontrou-se com alguns cristãos leigos, que estavam estudando a Bíblia. Juntos, elaboraram um documento no qual propuseram algumas mudanças  que, segundo a ótica do grupo, iria melhorar a vida dos camponeses e respeitaria as ideias contidas no Evangelho. Dentre as ideias contidas, destacam-se: livre escolha dos pastores, supressão dos pequenos dízimos, emprego dos grandes dízimos em benefício da comunidade, abolição da servidão e a liberação do direito de caça a todos.

Lutero, ao receber a carta com as reivindicações, posicionou-se contra a revolta na Exortação a Paz (1525), defendendo inclusive a sua repressão, como fica claro no seguinte trecho do documento: “aquele que se servir de espada morrerá a espada; mesmo que os príncipes sejam perversos e injustos, nada autoriza a contra ele.”

A nobreza alemã, amparada pela justificativa moral de Lutero em sua declaração "Contra as Turbas de Camponeses Assassinos e Saqueadores" (1525), exterminou as insurreições camponesas. Muntzer foi capturado e supliciado. 

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