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Gao Xingjian, que vive em Paris, leva Nobel de Literatura
O romancista, dramaturgo, tradutor, diretor, crítico e artista chinês Gao Xingjian, radicado na França desde 1988 e considerado 'maldito' pelo governo de Pequim, ganhou o prêmio Nobel de Literatura 2000.

Depois de ser entregue a europeus nos cinco anos anteriores, o Nobel deste ano é mais do que um prêmio a um autor chinês, é uma crítica à repressão à liberdade intelectual na China. Segundo a justificativa da Academia Real de Estocolmo, Xingjian leva o prêmio pelo trabalho de alcance universal, percepção aguda e engenho linguístico, que abriram novos caminhos para o romance e o drama chineses. O escritor nascido em 1940, que não tem contato com sua família na China - onde seus livros continuam proibidos -, é praticamente desconhecido do povo chinês. Nem mesmo a notícia do recebimento do prêmio foi divulgada pela imprensa chinesa.

De 1966 a 1976, Xingjian liderou um movimento literário que criticou a Revolução Cultural conduzida por Mao Tse-tung, na qual a produção do conhecimento e as artes perderam autonomia e foram subordinadas aos interesses políticos. Durante esse período, Xingjian, que também é pintor, foi internado em um campo de trabalhos forçados, onde foi obrigado a destruir todos os seus textos. Em 1989, logo após o massacre na Praça da Paz Celestial, ele se desligou formalmente do Partido Comunista chinês e desde 1986 nenhuma peça sua é representada na China. Sua obra mais conhecida é A montanha da alma, de 1990, em que ele relata a odisseia de um viajante pelo interior da China em uma busca individual por raízes, liberdade e paz interior.


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