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Diário de viagem

Diário de Viagem

Semana após semana, os dias passavam sem grandes novidades nos navios. Parte dos marinheiros tratava da limpeza e da arrumação. Também era preciso molhar o convés – o piso da embarcação – para que ficasse sempre úmido, impedindo que as madeiras rachassem sob o Sol. Além disso, qualquer vazamento precisava ser consertado imediatamente.

Havia ainda as velas e os cabos, que tinham de estar sempre em bom estado. A tripulação reunia-se nas refeições e nas missas, rezadas todos os dias. A água era muito racionada e a comida variava pouco: carne seca ou salgada, peixe, arroz, queijo, cebola, alho e muitos biscoitos – que emboloravam com a umidade, mas eram consumidos assim mesmo.

Os homens não ligavam muito para a higiene e os navios vinham abarrotados de ratos, baratas e piolhos, contribuindo muito para a proliferação das doenças. A mais grave delas era o escorbuto, causado pela falta de vitamina C, que é encontrada nas frutas cítricas como o limão e a laranja – frutas que não existiam a bordo dos navios nos séculos XV e XVI. Mas nem tudo era trabalho ou sofrimento. Apesar da proibição dos religiosos, os marinheiros também se divertiam: tocavam instrumentos musicais, cantavam, jogavam cartas e dados. 




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