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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Curiosidades das escolas de ontem e de hoje

RELATO DE UM PRIMEIRO DIA DE AULA. ADIVINHE QUAL FOI A ÉPOCA!:

   

Jamais vou esquecer a ansiedade que senti naqueles dias. Eu ainda não havia completado 7 anos e estava diante do espelho experimentando meu primeiro uniforme de menina crescida. Minha mãe costurava nossas roupas desde que éramos pequenas, mas aquele momento era especial.
Eu, diante do espelho, me sentia orgulhosa daquele uniforme. Rodopiava de um lado para o outro fazendo girar a saia pregueada. Para completar a imagem escolar que via no espelho, coloquei a gravata com as iniciais da escola e peguei a mala de couro da minha irmã mais velha para ver como eu ficaria imaginando a mala que eu estava prestes a ganhar dos meus pais.

Depois de muitos preparativos e expectativa o grande dia chegou. Fui para o meu primeiro dia de aula sentindo um misto de curiosidade e medo. Levei um raminho de flores colhidas no jardim de casa para aquela que seria a minha primeira professora primária.
As classes eram identificadas por cores e a minha era a azul marinho. Entrei, sentei e fiquei quietinha perto da janela observando o cenário que me acompanharia por muitos anos. A sala era grande e iluminada. As janelas tinham persianas de cor verde. A mesa da professora era de madeira escura e ficava sobre um tablado. Me pareceu tão grande se comparada às carteiras dos alunos!

A nossa carteira também era de madeira e era possível erguer o tampo para guardar nossos objetos pessoais. Ao fundo da sala havia uma estante com alguns livros grossos. Eu não sabia ler ainda e não entendi que livros eram aqueles. Ah! Havia um globo na mesma estante, junto aos livros. Eu me encantei por ele desde o primeiro momento. Acho que foi na primeira série que entendi o quanto o mundo era enorme, muito maior do que tudo que eu conhecia até então.
A professora enfim chegou! Dona Júnia era linda. De salto alto, saia e maquiada, sorrindo muito, recebeu a todos carinhosamente. Fez a chamada e logo reconheceu o sobrenome da minha família. Entreguei-lhe as flores meio envergonhada e confirmei quando ela perguntou se eu era irmã da Cristina. A partir daquele dia, dona Júnia passou a se referir a mim pelo sobrenome e assim foi durante toda a minha permanência naquela escola.



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