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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Agora veja o relato de como era a alfabetização na época dos seus pais

Eu sempre adorei o começo do ano, com materiais novos e cheio de novidades. Minha mãe encapava meus livros e cadernos com muito cuidado utilizando plástico e colocava uma etiqueta com meu nome e série. Para cada série havia uma cor específica. Na primeira série a cor era a verde.
Dona Junia começou a aula entregando para cada aluno um livro que seria meu grande companheiro naquele ano: a cartilha Caminho Suave. Ela disse que a Caminho Suave nos ajudaria a aprender a ler. Ah! Como eu queria aprender a ler sozinha!

A cartilha associava imagens às letras do alfabeto e depois a sílabas até que começávamos a formar frases: “Eu vejo a barriga do bebê”, “O vovô viu a uva” e as letras do alfabeto ganhavam formato de objetos e animais como o I de igreja, O de ovo, E de elefante, G de gato. Dá, dé, di, do, du! Repetíamos em alto e bom som todas as lições.
Ler direito era ler com a entonação e pontuação corretas em voz alta. Cada aluno levantava e lia como se estivesse declamando.
Aprendi a acompanhar a leitura silenciosa com o dedinho indicador sobre o texto, outra estratégia de aula de que dona Júnia gostava bastante. Confesso que essa lembrança vem acompanhada do cheiro do papel da minha cartilha.
Nesse ano fiz muita caligrafia também, para deixar a letra redondinha. Repetíamos nesse caderno de linhas fininhas as letras maiúsculas do alfabeto várias vezes, chegando a preencher uma página para cada uma das letras. Depois fizemos o mesmo com as letras minúsculas. No final do ano minha letra já estava bonita e eu começava a escrever pequenos textos. Dona Júnia colocava gravuras na nossa frente e dizia que era “tema livre”, ou seja, podíamos escrever o que nossa imaginação mandava.

Não esqueço também dos ditados. Como eu gostava! A classe em silêncio, a professora de pé na frente da turma ia repetindo quase sílaba por sílaba as palavras do ditado.
Hoje, lembrando daquela época, posso dizer que aprendi a ler, escrever e a gostar da escola por causa do amor com que dona Júnia fazia seu trabalho de professora.



A palavra caligrafia vem do grego e quer dizer 'bela escrita'. Um recurso utilizado para melhorar a letra é fazer exercícios de caligrafia em cadernos ou folhas com linhas especiais para essa finalidade. Era uma atividade muito valorizada na escola até os anos 1960, embora ainda hoje existam escolas que usam esse recurso.




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