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Detalhes da viagem e da chegada da Corte ao Brasil

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Temeroso das consequências da invasão napoleônica, D. João VI, príncipe regente de Portugal, não hesita: a melhor saída estava em direção ao mar.

Sem condições de fugir por conta própria, Portugal contou com a ajuda da famosa esquadra britânica, que colocou seus navios à disposição da Corte. É claro que esse auxílio ampliava os compromissos do governo português com o governo inglês.

Se o ditado diz que o comandante é o último a abandonar a embarcação, nessa história deu-se o contrário: a Família Real fugiu de Portugal e deixou seu povo. Aliás, falando em ditos populares, a expressão “foi deixado a ver navios” teria a sua origem na situação a que o povo português foi reduzido: de expectador da partida de seu monarca e dos fidalgos que o acompanharam.

A Corte embarca assustada e de forma atrapalhada, levando tudo o que fosse possível carregar. Uma verdadeira pilhagem das riquezas portuguesas, inclusive de igrejas, foi feita pela nobreza. O próprio D. João VI teria fugido disfarçado, usando uma pesada crina de cavalo como peruca.

Até mesmo a mãe de D. João VI, D. Maria I (conhecida por “a louca”), que vivia enclausurada em função de seus problemas mentais, teria reagido aos berros diante da confusão da partida: “Ai Jesus! Vão pensar que estamos fugindo!”.

As condições da viagem não foram animadoras e muitos chegaram aqui com a cabeça cheia de piolhos. Temos de considerar que os hábitos de higiene da nobreza europeia, naquela época, não eram lá muito bons. Era comum a convivência com cheiros fortes decorrentes da pouca frequência de banhos e ausência de sanitários.

A realidade brasileira

Mas não pense que a situação na Colônia, mais especificamente no Rio de Janeiro, que se transformaria em sede da metrópole, era favorável em termos de estrutura e condições de higiene.

Documentos de época relatam que os ocupantes dos navios, 35 no total, ao avistarem a Baia da Guanabara, ficaram impressionados com a beleza natural que avistaram. No entanto, a proximidade com o porto fez com que a primeira impressão não durasse em função do cheiro fétido de esgoto que exalava na baia, utilizada como despejo de todo tipo de lixo, associado ao calor intenso.

Seja como for, se pensarmos no contexto da época, a chegada da Família Real portuguesa no Brasil causou impacto, status, mudanças culturais importantes e também novos problemas ao Brasil.

Com o objetivo de acomodar os ilustres visitantes, os moradores possuidores de dois imóveis ou mais, foram brindados com um PR de Príncipe Regente na porta das casas, que seria rapidamente traduzido pela população como “ponha-se na rua”, já que muitos tiveram que ceder suas propriedades para acomodar a Corte portuguesa.


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