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Cinco séculos de trabalho no Brasil

Quem já não ouviu dizer que o brasileiro é preguiçoso, pouco empenhado, não gosta do "batente"? Será verdade? Ou esse é um mito que pouco reflete a realidade dessa população que há cinco séculos vem tentando sobreviver aos trancos e barrancos?

A história do trabalho no Brasil na verdade começa com muita labuta. A primeira coisa que nossos colonizadores portugueses, vindos de uma sociedade em que a elite nobre não trabalhava, fizeram aqui ao chegarem foi organizar a Colônia de tal forma que as tarefas pesadas ficassem sempre nas mãos de outros.

Pintura de Jean Baptiste Debret (1768-1848) retrata escravidão indígena
 Para tirar o máximo de lucro de suas colônias e contornar sua escassez populacional e o imenso território brasileiro, a Coroa portuguesa recorreu ao trabalho escravo. Os primeiros a serem subjugados para tal tarefa foram os índios.

Mas essa estratégia teve vida curta, tendo sido substituídos, a partir de 1550, pelo trabalho do negro africano. Economicamente mais atraente, esses escravos permitiam um lucro duplo aos portugueses, que já ganhavam com o tráfico, que trazia essa mão de obra da África.

Com o fim da escravidão (1888), houve reflexos políticos importantes, principalmente ter se criado a necessidade do desenvolvimento das relações patrão-empregado, inexistentes durante os 300 anos nos quais o Brasil dependeu da mão de obra escrava.

Imigrantes italianos em busca de oportunidades de vida no Novo Mundo
 Foi quando vieram os imigrantes estrangeiros. Mas era preciso oferecer condições mais decentes de trabalho para esse novo grupo. Isso foi feito lentamente e com a mobilização deste grupo em defesa de seus direitos.

Propaganda oficial de Getúlio durante o Estado Novo dirigida à classe trabalhadora
 Somente na década de 1930, com a primeira legislação trabalhista, decretada por Getúlio Vargas, foi criado no Brasil a consciência de que, assim como os patrões, os empregados tinham direitos e obrigações e o sindicalismo oficializou-se no país.

Nas décadas seguintes, porém, a expectativa de uma vida melhor nutrida pela classe trabalhadora, que apoiou o populismo de Vargas e ajudou a levá-lo ao poder, não se realizou, e o movimento operário começou a abrange a sua luta.

Com o fim da ditadura militar, em 1985, patrões e empregados viram-se obrigados a aderir aos princípios democráticos da livre negociação e da economia de mercado.

Expostas subitamente à concorrência internacional, muitas empresas tiveram de reestruturar suas formas de produção para aumentar a produtividade e reduzir custos. Um grande número de trabalhadores com pouca qualificação foi substituído por máquinas e processos informatizados, tocados por um pequeno número de trabalhadores altamente qualificados. 

Esse processo vem criando um mercado cada vez mais sofisticado, onde a preocupação dos trabalhadores em todos os níveis não é mais apenas a de obter um emprego, mas de garantir a sua empregabilidade.

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