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Brasil pré-industrial

     Engenho manual que faz caldo de cana, aquarela de Jean-Baptiste Debret, 1822


Ciclo da cana-de-açucar

Foi com o plantio da cana-de-açucar e com as capitanias hereditárias (divisão do território brasileiro em 15 faixas lineares, administradas por capitães donatários) que o território brasileiro começou a ser ocupado. Instalar um engenho e fazê-lo produzir custava muito dinheiro, mas o negócio era extremamente rentável e alguns senhores chegaram a concentrar um patrimônio digno de reis. Os engenhos de cana ganharam força no Nordeste por volta de 1570, assegurando lucro e prosperidade à região durante quase 200 anos. 

Além do investimento feito pelos portugueses, os primeiros engenhos receberam investimento da Holanda e da Itália, principalmente. A partir do século XVII, esses recursos ficaram mais escassos, momento em que entraram em cena os comerciantes e seus créditos. Os senhores de engenho representavam a força econômica no Período Colonial.

A atividade açucareira teve altos e baixos, mas até a metade do século XIX dominou as exportações brasileiras. Dados da Organização Mundial de Comércio (OMC), de 2010, mostram que o Brasil reconquistou sua liderança no mercado internacional, despontando como líder de exportação da matéria-prima.

Ciclo do ouro
 
A profunda estagnação econômica da Metrópole portuguesa e suas colônias, na segunda metade do século XVII, incentivaram a busca por metais preciosos. Uma das principais descobertas foi em 1698, com as jazidas de Ouro Preto.
 
Como as cidades mineradoras não produziam nada além de ouro, as regiões vizinhas começaram a se organizar para abastecê-las. São Paulo, por exemplo, enviava feijão, milho e marmelada; o Sul mandava farinha de trigo, carne-seca, cavalos e mulas para o transporte – produtos que em Minas Gerais alcançavam preços exorbitantes.
 
As descobertas de ouro transformaram o Brasil no maior produtor mundial da época, mas foram poucos os mineradores que fizeram fortuna, devido ao grande número de taxas e ao elevado preço da mão de obra escrava. 
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Você sabia?

É difícil determinar a quantidade exata de metais e pedras preciosas retirada do Brasil, no século XVIII, pois só conhecemos os números oficiais. Calcula-se que 35% do metal (algo em torno de 300 toneladas) foi desviado. São famosas as histórias de negros que escondiam ouro debaixo das unhas compridas ou em suas cabeleiras, e também dos "santinho do pau oco", imagens de madeira, ocas por dentro para ocultar o metal precioso, que assim era contrabandeado de Minas Gerais.



Ciclo do café

O café começou a ser produzido por volta de 1780, nos arredores do Rio de Janeiro. O bom preço do produto na Europa atraiu os fazendeiros e o governo doou terras e mudas para quem quisesse cultivá-lo. No Brasil o café encontrou a terra e o clima favorável ao seu desenvolvimento e o País tornou-se o maior produtor mundial, exportando para a Europa e os Estados Unidos. Os donos das fazendas, que contavam com subsídios (incentivos) do governo brasileiro, transformaram-se em barões do café.

Introduzido no Brasil em 1726, o café mudou o rumo do Brasil
O crescimento da economia cafeeira trouxe inovações importantes para as técnicas de produção e exigiu muitas adequações no sistema de trabalho, que paulatinamente foi substituindo a mão de obra escrava pelo trabalhador livre. Além disso, estimulou o desenvolvimento urbano e dos transportes.

Foi tão importante para a formação do Brasil que trouxe milhares de imigrantes ao País, primeiro vindos da Europa, depois do Japão. >Descubra

A situação só começou a se desequilibrar com a superprodução cafeeira, que derrubou os preços do produto.


Ciclo da borracha

Seringueiro extrai látex para produção da borracha
A borracha foi uma das grandes riquezas da Amazônia que impulsionou o desenvolvimento local. Entre 1827 e 1915, a expansão da borracha fez do Brasil o maior produtor mundial. Na região Norte, a extração do látex das seringueiras atraiu dezenas de milhares de migrantes e o interesse de grandes companhias extrativistas europeias e norte-americanas. A economia cresceu e Manaus, capital do Amazonas, enriqueceu. O Teatro Amazonas foi construído nesse período e ficou sendo o símbolo da riqueza dessa época.

No início do século XX, no entanto, a borracha amazônica perdeu mercado para a borracha asiática, a economia da região entrou em declínio e só veio a recuperar-se em meados do século XX, a partir de iniciativas do governo federal. O auge deste ciclo foi alcançado em 1913, quando o País exportava 97% da produção mundial. Seu declínio se deu a partir dos anos de 1920 com a concorrência das plantações inglesas na Indochina e Malásia. >Descubra

Industrialização

Após quase um século de industrialização europeia, alavancada pela pioneirismo da Inglaterra, essa revolução no modo de produção encontrou seu espaço na economia brasileira (final do século XIX).

A grande virada da economia só foi possível a partir dos lucros do café, que contribuíram com novos investimentos e com a mão de obra mais especializada dos imigrantes europeus.

O mercado interno para os produtos industrializados também se amplia, principalmente durante a Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918). Nesse momento, os investimentos externos ajudam a implantar ferrovias e redes de energia elétrica e facilitam a vinda do maquinário industrial.

O avanço da industrialização nas primeiras décadas do século XX acendeu a polêmica sobre até que ponto o governo podia interferir na economia. Getúlio Vargas apostou na participação do Estado na instalação das indústrias de base.

Juscelino Kubitschek, por sua vez, optou pelo estímulo ao investimento privado, com grande entrada de empréstimos e de empresas estrangeiras. Apesar do salto de modernização do Governo JK, o País foi punido com uma dívida externa e uma inflação crescentes.> Descubra

Interatividade: relacione os modos de trabalho na industrialização






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