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A musa inspiradora

Incluso no cotidiano do brasileiro, o futebol se transformou em uma espécie de "musa inspiradora" para diversos compositores brasileiros. Nas canções abaixo é possível ver como os hinos dos clubes são apenas o ponto de partida dessas composições musicais, que não deixam de fora nem os dirigentes. Há ainda quem discuta qual o time que mais recebeu homenagens.
 
Clubes

Não há uma regra geral que defina a forma como uma música se torna o hino de um clube. Geralmente, ele é feito sob encomenda. Há casos, porém, de canções que, feitas sem essa pretensão, acabam caindo no gosto dos torcedores, e tomam o lugar do hino oficial.

Além dos hinos, muitas outras canções foram compostas em homenagem a clubes, especialmente aos mais populares, manifestando a paixão de seus compositores. Disputam a liderança da lista dos mais homenageados o Flamengo e o Corinthians. Veja algumas dessas canções:

Corinthians


Amor branco e preto
(Rita Lee / Arnaldo Batista)
A homenagem, composta em 1972 e interpretada pelos Mutantes, é uma redenção ao sofrimento da torcida do timão.
Trecho: por que será que eu gosto de sofrer? / vai ver que agora eu dei pra masoquista / ... / sofro mas continuo a te adorar / Corinthians meu amor / Corinthians
 

Transplante de corinthiano (L.Gentil / M.Ferreira / R.Amaral)
O apresentador Silvio Santos, que gravou diversas marchinhas de carnaval e estourou com esta homenagem ao time, regravou a canção em 2010 para o centenário do time.
Trecho: doutor / eu não me engano / meu coração é corinthiano / ... / ai, doutor eu não me engano / botaram outro coração corinthiano

Flamengo

Memória de um torcedor
(Wilson Batista)
A sofrida derrota do time para o Botafogo rendeu o samba que virou bordão da torcida.
Trecho: faço sacrifício / venho lá do Realengo / uma vez Flamengo / sempre Flamengo

Samba rubro-negro (Wilson Batista / João Nogueira)
Tornou-se canção de sorte do time nas vitórias consecutivas de 1953, 1954 e 1955. João Nogueira deu nova cara à música em 1981, trocando os jogadores para “Zico, Adílio e Adão”.
Trecho: o mais querido / tem Índio, Dequinha e Pavão (tem Zico, Adílio e Adão) / eu vou pedir a São Jorge / pro Mengo ser campeão

Raros são os compositores de hinos conhecidos também por suas composições em outros gêneros musicais. A mais notável exceção é Lamartine Babo, talentoso compositor carioca, autor de inúmeros sucessos como marchinhas de Carnaval (O teu cabelo não nega, de 1932; Linda morena, de 1933), valsas (Eu sonhei que tu estavas tão linda, de 1941), sambas-canções (Serra da Boa Esperança, de 1937; No rancho fundo, com Ary Barroso, de 1931) e marchas juninas (Chegou a hora da fogueira, de 1933; Isto é lá com Santo Antônio, de 1934).
 
Torcedor do América, Lamartine é o autor dos hinos dos principais clubes do Rio de Janeiro, lançados em 1943 em seu programa "Trem da Alegria", da Rádio Nacional. Atribui-se ao autor 13 hinos, entre eles do América, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama.

Algumas das canções até ganham releituras modernas, dentro do pop rock ou mesmo em versões instrumentais, mas as gravações tradicionais (remasterizadas) continuam dominando.
 
Hino do Botafogo (Lamartine Babo)
Composta em 1942, a canção-tema do time foi regravada por Ed Motta, Beth Carvalho, Cláudio Zoli e Eduardo Dusek.   
Trecho: Botafogo, Botafogo / campeão de(sde) 1910 / ... / tu és o glorioso / não podes perder, perder pra ninguém

Ouça outros hinos de futebol

Jogadores

Não é de se estranhar que o grande homenageado do esporte tenha sido Pelé. Até o grande instrumentista norte-americano Dizzie Gillespie prestou tributo ao Rei do Futebol. Nenhuma delas, porém, pode ser considerada um grande sucesso até hoje. Até o ilustre jogador se arriscou em composições sobre o futebol, que também não emplacaram, mesmo na voz de grandes intérpretes como Ney Matogrosso (Eu sou assim) e Elis Regina (Perdão não tem e Vexamão).

Nesta categoria, no entanto, vale a pena citar duas canções que homenagearam jogadores, pelo sucesso que fizeram e pela polêmica que causaram.

Balada n.7 (Alberto Luiz)
Foi considerada uma homenagem ao jogador Garrincha (informação não confirmada pelo autor), ao retratar com poesia a dura realidade do jogador que se retira dos gramados e é esquecido pela torcida.
Trecho: cadê você, cadê você? / você passou / o que era doce / e o que não era / se acabou / cadê você, cadê você? / você passou / no videoteipe do sonho / a história gravou

Ouça

Fio Maravilha (Jorge Benjor)
Vencedora da fase nacional do Festival Internacional da Canção de 1972, na interpretação de Maria Alcina, era uma homenagem ao jogador Fio, do Flamengo. Mas tarde foi alterada para Filho Maravilha por problemas de direitos autorais.
Trecho: e novamente ele chegou com inspiração / com muito amor com emoção / com explosão e gol! / ... / Fio maravilha / nós gostamos de você / Fio maravilha / faz mais um pra gente ver

Ouça

Dirigente

Troca-troca (Jorge Benjor)
Canção que homenageia um dirigente de um clube rival ao do compositor flamenguista, o ex-presidente do Fluminense, Francisco Horta.
Trecho: troca-troca, troca-troca / quero ver trocar / se não troca o homem troca / é melhor parar

Ouça

*As informações desta matéria foram baseadas na tese de doutorado “Futebol como patrimônio cultural do Brasil: estudo exploratório sobre possibilidades de incentivo ao turismo e ao lazer”, do pesquisador Sérgio Miranda Paz, apresentada à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Doutor em Ciências da Comunicação.




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