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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

As diferentes visões de mundo

Os conservadores



Para os conservadores, não interessava os ideais da Revolução Francesa de igualdade, liberdade e fraternidade. O que eles queriam era defender as estruturas da antiga sociedade feudal, calcada na hierarquia social, na autoridade religiosa e na dominação de poucos sobre muitos.

Os conservadores defendiam apaixonadamente a monarquia e as instituições religiosas e atacavam a sociedade moderna, o urbanismo, a indústria e a tecnologia. Suas teorias estavam centradas principalmente nos estudos acerca da família, da religião, da moral e das tradições como formas principais de ordenamento social.

Para eles, os conflitos e problemas da nascente sociedade capitalista seriam resolvidos restabelecendo-se as estruturais feudais.


Os positivistas

Apesar da importância dos conservadores para o desenvolvimento da Sociologia, é no positivismo que encontramos os principais pioneiros dessa ciência. Esses teóricos reformularam boa parte das concepções conservadoras a fim de adaptá-las às novas circunstâncias históricas desencadeadas pela dupla revolução (Industrial e Francesa).

Ainda que essas correntes teóricas tivessem em comum o interesse em restituir a ordem social, os positivistas sabiam que não seria possível retornar ao arcaico sistema feudal. Assim, diferente dos conservadores, seu principal interesse era restabelecer a ordem dentro da própria estrutura moderna, e viam com bons olhos a nova ordem capitalista. Por causa disso, esses primeiros sociólogos eram vistos como representantes intelectuais da burguesia.

E como se daria o restabelecimento da 'ordem e da paz' na sociedade moderna? Para os positivistas, era necessário seguir o modelo das ciências naturais, naquele momento mais consolidadas do que a Sociologia (ciência social), que ainda dava seus primeiros passos.

Os positivistas acreditavam que, assim como mundo natural (por exemplo, com sua lei da gravidade), a sociedade possuía leis gerais que precisavam ser descobertas e entendidas a fim de se encontrar um estado de equilíbrio social.

Saiba Mais

O lema de nossa bandeira, “ordem e progresso”, foi inspirado em ideais positivistas. Saiba mais

Esses ideais foram discutidos na música popular brasileira na década de 1930 com o samba “Positivismo”, de Noel Rosa e Orestes Barbosa, e, mais recentemente, no CD Amor, ordem e progresso (2003), de Jards Macalé.
Eles acreditavam ainda que os ideais iluministas, que anteriormente tinham ajudado o projeto revolucionário da burguesia, deveriam agora ser deixados de lado. Para os positivistas, não mais interessava uma interpretação que criticasse e negasse a sociedade, mas uma que positivasse e organizasse a vida social levando a sociedade ao desenvolvimento. Assim, em vez de igualdade e liberdade, defendiam o lema “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”, que ficou resumido em “ordem e progresso”.


O grande entusiasta do positivismo

Enquanto a sociedade feudal era calcada no pensamento religioso, a nascente organização capitalista era científica e industrial, de modo que, para os positivistas, o lugar antes ocupado pelos sacerdotes deveria agora ser ocupado pelos cientistas. Por causa disso, Augusto Comte (1798 - 1857) propõe a criação de uma nova ciência capaz de se dedicar profundamente às questões sociais.
 
Inicialmente, ele denominou essa nova ciência de “física social”, a qual teria por função estudar os fenômenos sociais da mesma forma que os fenômenos físicos e químicos eram estudados, isto é, submetidos a certas leis invariáveis.

Como a astronomia, a física, a matemática e a química eram ciências já bastante desenvolvidas, a “física social” deveria utilizar os mesmos métodos de investigação dessas ciências, a exemplo da observação, da experimentação e da comparação.

Para Comte, só por meio da descoberta do que ele chamava de 'leis gerais que regem a sociedade' seria possível prever acontecimentos futuros e, assim, regular a sociedade. Ele não estava, portanto, preocupado com questões como igualdade, justiça e liberdade.
 
Só em 1839, o pensador francês passa, então, a utilizar o termo 'sociologia' para designar essa nova ciência que, autônoma, precisava estar separada da filosofia e da economia política, dedicando-se exclusivamente ao estudo do 'social'.

O surgimento da Sociologia era visto por ele como o triunfo da ciência e do desenvolvimento científico. Dessa maneira, a ciência novata e o positivismo estavam intimamente ligados em seu pensamento.

Por isso, Auguste Comte é considerado mais do que o fundador do positivismo: para alguns, ele é também o pai da Sociologia.

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