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  Introdução à Filosofia   
Ciências Humanas e suas Tecnologias.  




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                                                                                   Arte : Pedro Bayeux
A Filosofia e o ponto de interrogação
   
Leia atentamente o título desta matéria e reflita sobre o que ele tem a ver com a história da garota Flor. Agora, lembre-se de como agem os bebês com poucos meses de vida.

Mesmo não sabendo falar, os bebês desenvolvem uma maneira bastante interessante de se comunicar com o mundo à sua volta, não é verdade?

Eles não conseguem fazer perguntas, mas observam atentamente tudo que acontece ao seu redor. Cada gesto, cor, som e cheiro desperta a curiosidade e o aprendizado da criança.

Suponhamos agora que os bebês nascessem com a capacidade de falar e articular pensamentos. Provavelmente, eles não só observariam as coisas à sua volta, mas as questionariam, ainda que do modo deles, pois é isso que acontece com as crianças quando elas desenvolvem a fala e o raciocínio.

Você já deve ter observado quantas perguntas engraçadas e mesmo interessantes uma pequena criança pode realizar. À primeira vista, podem parecer bobas ou até sem sentido, mas não são não.

O ilimitado universo infantil

No filme Uma lição de amor (2001), o ator Sean Penn interpreta Sam Dawson, um pai com deficiência mental que cria sua filha Lucy (Dakota Fanning) com a ajuda dos amigos.

Entretanto, ao completar 7 anos, a pequena garota começa a ultrapassar intelectualmente seu pai. Nesse período, ela mostra a grande capacidade infantil de fazer as mais diversas perguntas.





Por que, então, quando adultas, as pessoas deixam de fazer determinadas perguntas e passam a achar estranhas e divertidas as indagações de crianças e adolescentes?

É bem verdade que muitas dessas indagações perdem o sentido quando obtemos certos conhecimentos e, portanto, deixamos de fazê-las. Outras são respondidas pela ciência. Porém, algumas deixam de ser feitas simplesmente porque nos habituamos com o mundo; acostumamos com certas coisas e as achamos evidentes e naturais.

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Para os filósofos, entretanto, nada deve ser tomado como evidente. Segundo eles, certas perguntas acerca do mundo e da vida necessitam de repostas e interessam a todos os indivíduos, independentemente de posição social, sexo, desenvolvimento intelectual, cultura ou religião. É por causa disso que o bom filósofo está relacionado com a capacidade de se admirar, de se surpreender com as coisas. Dessa admiração e dessa surpresa deriva a base de todo o pensamento filosófico, isto é, a indagação. Foi essa atitude que o professor da misteriosa disciplina buscou despertar na menina Flor.

A atitude filosófica


Segundo Platão (427-347 a.c), a Filosofia pode ser entendida como o uso da sabedoria em proveito do homem. Isso pode parecer algo bastante simples, mas, se observarmos atentamente esta definição, veremos que seu desdobramento exige a definição do que é benefício e, por consequência, do que é o ‘bem’. Mais ainda, veremos que para definirmos o ‘bem’, será necessário definirmos o que é o ‘mal’.

Por isso, a Filosofia não trabalha como um conjunto de conhecimentos prontos. Também não se coloca como um sistema acabado. Cada indagação pode e deve levar a novas perguntas e à busca de uma reflexão que vá além da pura aparência das coisas. Seu principal papel é, desse modo, investigar as raízes dos fenômenos mais diversos, como os fenômenos políticos, sociais, históricos, éticos, econômicos e estéticos.

Mas calma, a Filosofia não é um bicho de sete cabeças. Ela possui um leque de objetos de estudo bastante abrangente que engloba, por exemplo, a própria ciência com seus valores e métodos, a religião, a arte e a vida cotidiana dos homens.

Partindo sempre do que existe, esta ciência humana procura desencadear novas possibilidades de entendimento e organização da vida e do mundo. Para isso, ela questiona e põe em dúvida coisas que a maioria das pessoas enxerga como naturais ou que nunca tiveram o interesse de pensar a respeito.

Pode-se dizer então que a crítica e o questionamento formam a base de toda atitude filosófica. Essa atitude possui, dessa maneira, duas características inseparáveis: uma negativa e outra positiva.

Em um primeiro momento, ela é negativa, pois precisa dizer não a todos os 'pré-conceitos' e ideias que englobam nossa experiência cotidiana. Precisa dizer não ao que todos pensam e acreditam, colocando essas crenças em questionamento para, em seguida, analisá-las racionalmente. 
A célebre frase de Sócrates “Só sei que nada sei” resume bem a característica negativa da atitude filosófica: quando admitimos que nada sabemos, estamos negando valores e preconceitos, ou seja, o que imaginamos saber e, com isso, abrimos a possibilidade de buscarmos o conhecimento.


Após esse posicionamento negativo, a atitude filosófica passa para sua segunda característica, ou seja, um posicionamento positivo. Neste momento, interroga-se o que são, por que são e como são as coisas, a ideias, os valores e até nós mesmos. 


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