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Parmênides de Eleia: que coisa é o Ser?

Parmênides de Eléia (540-450 a. C.): principal expoente da Escola Eleata e grande opositor de Heráclito de Éfeso
Parmênides de Eleia sustentou uma visão filosófica em franca contradição à de Heráclito de Éfeso. Essa oposição, além de contribuir sobremaneira para o desenvolvimento da lógica, foi primordial para afastar a Filosofia do pensamento naturalista iniciado pelos jônicos, os primeiros pré-socráticos.

Parmênides e sua oposição a Heráclito possibilitou o surgimento dos princípios fundamentais da ontologia, uma ciência filosófica cuja principal questão gira em torno do Ser. A ontologia, iniciada com Parmênides, levanta dúvidas e discussões que até hoje são objeto de estudo dos filósofos, daí a grande importância desse pensador para a filosofia.

Parmênides defendia que podemos compreender a realidade por meio de dois caminhos: o da Filosofia e o da crendice. No primeiro, guiamo-nos pela razão, pela essência das coisas; no segundo, somos guiados pela opinião pessoal e pela aparência. Este último, para ele, era o caminho errado, seguido por Heráclito.     

No intuito de desenvolver melhor suas concepções, Parmênides buscou, pelo caminho da Filosofia e da razão, ordenar a realidade, diferenciando para tanto duas categorias: aquilo que é e aquilo que não é. Ao observar luz e escuridão, ele chegou à conclusão de que a luz é, e a escuridão, enquanto negação da luz, não é. Ele concluiu, portanto, que o Ser é único, eterno, ilimitado e, acima de tudo, imóvel. Nesse sentido é que começa a sua crítica a Heráclito, segundo o qual tudo é móvel, tudo flui, tudo se transforma.

Ao se posicionar contra Heráclito, Parmênides criou um problema que precisava ser resolvido. Ele precisava explicar como as mudanças ocorriam; como, por exemplo, o frio se torna quente e o claro se torna escuro. Usando sua linha de pensamento, ele precisava explicar como o Ser se transformava em não-Ser e como o não-Ser poderia se transformar em Ser.

Ele busca responder a esse problema afirmando que o Ser é invisível aos nossos olhos, aos nossos sentidos; só podemos apreendê-lo através do uso da razão, do pensamento. A aparência das coisas, percebidas pelos nossos sentidos, não existem na realidade e, sendo assim, não são.

Desse modo, Parmênides parte do princípio oposto ao de Heráclito, pois para ele as mudanças não são mais que mera aparência; uma confusão que nossos sentidos realiza entre realidade e sensações. A realidade, o Ser, é algo imutável e, sendo assim, não pode se transformar em seu próprio oposto, isto é, em não-Ser.

Ele ainda afirma que quando pensamos, estamos necessariamente pensando em alguma coisa, em algo que é. Só podemos pensar acerca de algo se esse algo possuir uma identidade. Para que ele possua essa identidade, faz-se necessário que ele seja permanente.



O que Parmênides quer nos dizer é que só podemos pensar racionalmente acerca de alguma coisa se essa coisa for sempre a mesma; se ela possuir uma identidade permanente. Sem a existência do Ser, segundo ele, não há pensamento.

Assim, nossos sentidos apreendem a aparência, ou seja, o não-Ser, e nossa mente, através da razão, apreende a verdade, o real, o Ser. Partindo desse pressuposto, esse filósofo concebe que o verdadeiro conhecimento é o conhecimento do Ser.





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