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Fato social: o objeto de estudo da Sociologia de Durkheim

Ao observar a situação vivida pela Sociologia em seu momento inicial, Durkheim constatou o que para ele era um gravíssimo problema: a falta de um objeto de estudo e de um método que orientasse as pesquisas sociais. Sua ideia era de que somente com essa definição seria possível aplacar as contradições existentes entre as distintas vertentes do pensamento sociológico.

Para ele, dizer que a Sociologia deveria se ocupar do estudo dos fenômenos ocorridos na sociedade era algo amplo e vago demais. Se assim o fosse, pensava ele, não haveria acontecimento humano que não pudesse ser chamado de social, incluindo aí os atos de beber, comer, pensar etc. Desse modo, que diferença a Sociologia teria de ciências como a Biologia e a Psicologia? Onde entraria a necessidade de sua existência?

Durkheim responde a essas questões postulando que existe em toda sociedade um grupo de fenômenos que não são nem psicológicos, nem biológicos, mas que apresentam características próprias. Esses fenômenos seriam os fatos sociais, objeto de estudo específico da Sociologia.

Pode-se definir fato social enquanto maneiras de agir, pensar e sentir que apresentam três características peculiares: são gerais na sociedade, são exteriores aos indivíduos e são dotados de poder de coerção. Vejamos o que cada característica dessa representa:

 
Para explicar o que seriam os fatos sociais, Durkheim nos dá um interessante exemplo. Ele nos fala: "Quando desempenho meu papel social de irmão, de esposo ou de cidadão. Quando realizo os compromissos que tomei, cumpro deveres que estão definidos, para além de mim e dos meus atos, no direito e nos costumes."



1) Generalidade:
os fatos sociais não são ações individuais, mas se apresentam de maneira generalizada na sociedade. Ou seja, não é a manifestação de um indivíduo, mas da coletividade.

2) Exterioridade: eles não nascem com os indivíduos, como os fatores biológicos. Na verdade, eles já existem antes mesmo do nosso nascimento e são aprendidos durante a nossa existência. Em muitos casos, essa aprendizagem e adesão aos fatos sociais ocorrem independentemente de nossa vontade. Sendo assim, fazem parte da consciência coletiva de uma sociedade, e não de nossa consciência individual. Estão para além dos indivíduos particulares.

3) Coercitividade: como não nasce com o indivíduo e não faz parte de sua consciência individual, o fato social só pode se estabelecer através da coerção. Ele é imposto a nós de tal modo que nos conformamos com as regras existentes em nossa sociedade como se elas fossem naturais e existissem desde sempre. Na maioria dos casos, enxergamos os fatos sociais enquanto eventos naturais, mas na verdade eles são criações da sociedade impostas às consciências individuais. Quando resolvemos ir contra um fato social, é certo que seremos punidos.

Dadas essas características, você deve ter conseguido identificar pelo menos um fato social com o qual você convive todos os dias, certo?

Comer à mesa com talheres e vestir-se com roupas da moda são claros exemplos de fatos sociais que marcam grande parte da sociedade urbana de nosso país. Vejamos cada um desses exemplos de maneira mais detalhada e de acordo com as características definidas por Durkheim.




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