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Comendo de garfo e faca



Quando somos convidados para almoçar na casa de um amigo, ou até mesmo ao sentarmos à mesa de nossa própria casa, temos o costume de utilizarmos talheres, como o garfo e a faca. Mas sabemos que isso nos foi ensinado, não nascemos sabendo segurar esses utensílios. Observe um bebê e veja que a tendência que ele tem é de colocar a mão no prato, levando-a diretamente à boca.

Com o passar do tempo e com o desenvolvimento motor da criança, os pais vão ensinando como segurar a colher, depois o garfo e a faca e se orgulham quando ela consegue comer utilizando esses utensílios. Assim, aprendemos algo que vamos levar para o resto de nossas vidas.

Mas agora imagine que a criança, mesmo com suas funções motoras já desenvolvidas, insista em se alimentar utilizando apenas as mãos. Sem dúvida constantemente seus pais irão lhe repreender. Imagine também você almoçando na casa daquele seu amigo e levando a mão diretamente ao prato. Ainda que você possa não ser criticado naquela hora, certamente será olhado de maneira estranha e com reprovação, certo?

Fica claro, então, que temos aqui um exemplo de fato social, pois, usar talheres é geral em nossa sociedade urbana, é algo aprendido por nós, ou seja, nos é exterior, e nos é imposto de maneira coercitiva. Ainda que tenhamos esse fato por natural, se ousarmos ir contra ele seremos punidos.

No exemplo dado, essa punição não está ligada a sanções penais, mas a olhares de estranhamento, de reprovação e crítica, o que pode resultar em nunca mais ser convidado para almoçar naquela casa. Assim, segundo Durkheim, essa coerção não precisa ser necessariamente legal, resultando em prisão ou pagamento de multa. Ela pode também ser sentida no isolamento social, na chacota, na crítica e na reprovação do grupo.



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