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  A matriz negra   
Pluralidade Cultural  

Visão geral




A diáspora negra, formada por descendentes de reis, rainhas, trabalhadores e escravizados vindos da África, apresenta em sua conjuntura uma história semelhante de seus povos. Muitas etnias africanas foram espalhadas pelo mundo, levando para cada canto um povo com uma cultura muito rica em história, poder, conhecimentos e envolta por uma luta pela vida e reivindicação pela liberdade, a qual antes eles, os africanos, tinham de sobra. Este mesmo povo conseguiu se assentar e recomeçar nos mais diversos territórios, mesmo com a saída forçada de casa, sem ter tido tempo de fazer as malas, beijar a esposa, os filhos e levar fotos de recordação.

Este recomeço levou tempo, pois tudo teve que ser mudado: as roupas, os cabelos, a religião e até mesmo o modo de pensar teve de receber outros significados. Seus santos trocaram de nome, o batuque, a capoeira e o samba, no caso do Brasil, foram intensamente perseguidos durante muito tempo. Assim, como diz Stuart Hall, na história do mundo moderno, há poucas experiências mais traumáticas do que essas separações forçadas da África, em que os escravizados eram de diferentes países, comunidades tribais, aldeias e ainda tinham diferentes línguas e deuses.

Nos outros países, as culturas trazidas pelos africanos também sofreram golpes, tiveram de esconder o que era deles por direito, mas conseguiram manter na memória as recordações de uma África cheia de luz, isso antes das escravizações, explorações e massacres.

Houve revolta. Os afrodescendentes, já quase dizimados e vendo sua cultura sendo desrespeitada, reuniam-se, também escondidos, para não terem seus planos descobertos e o sonho de liberdade adiado. Sangue, mortes, humilhações, estupros e, por consequência, filhos mestiços e sem pai foram surgindo ao longo dos anos.

Cheikh Anta Diop, antropólogo senegalês
Por meio das revoltas e fugas surgiram os quilombos, local em que a mãe África, por ora, voltava a nascer.

Líderes surgiram; pode-se citar aqui alguns: Zumbi e Ganga Zumba, no Brasil, Martin Luther
Zumbi dos Palmares
King e Malcolm X nos Estados Unidos e Steve Biko, ativista do movimento antiapartheid da África do Sul. Como também Cheikh Anta Diop, historiador e antropólogo senegalês que enfatizou a contribuição da África, em particular da África negra, à cultura e à civilização mundial; Aimé Césaire, poeta, ensaísta e político de Martinica, um dos idealizadores do conceito de negritude; Carlos Moore, cubano, chefe de pesquisa da University of the West Indies, Jamaica, e ex-assistente pessoal do antropólogo Cheikh Anta Diop.

No Brasil, é interessante citar ainda o papel de suma importância de pessoas notáveis como Abdias do Nascimento, Kabenguele Munanga, professor titular da USP, estudioso do racismo e imigrante africano (Congo), que buscou asilo e cidadania em nosso país; Henrique Cunha Júnior, professor da Universidade Federal do Ceará, e Lélia Gonzalez, uma das mais importantes ativistas e intelectuais negras, e outros mais.
  
O povo da diáspora negra dialoga, escreve livros, artigos e se reúne cada vez mais a fim de se articular sobre políticas públicas, avanços e os problemas que ainda hoje os afrodescendentes enfrentam.


As quatro principais rotas dos navios negreiros que ligaram o continente africano ao Brasil foram as da Guiné, Mina, Angola e Moçambique
Vê-se que, passados muitos anos após a abolição da escravatura, a situação dos descendentes de africanos, não só no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo, ainda é bem delicada. Problemas referentes a discriminação racial, falta de oportunidades, baixa escolaridade, desemprego e fome perseguem incansavelmente os afros de toda a diáspora.

São a maioria nos índices de analfabetismo, nos presídios, nos genocídios, mas minorias nos cargos de liderança, nas melhores universidades, no governo e na docência universitária. Esses milhões de africanos que foram espalhados pelo mundo e que independentemente de sua etnia se juntaram representam uma parte da África fora do continente africano e que buscam cada vez mais a ascensão social, igualdade de direitos, adequada qualidade de vida e melhores oportunidades de trabalho.



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