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  A matriz negra   
Pluralidade Cultural  

Os negros da diáspora pelo mundo




COLÔMBIA

Os negros (africanos) foram levados para a Colômbia no século 16, durante o tráfico de escravos. Os escravizados trabalhavam nas minas de ouro, nas plantações de cana-de-açúcar, em fazendas de gado e em grandes fazendas. Os afro-colombianos eram muito visíveis na costa da Colômbia, mas durante a década de 1970 muitos negros migraram para cidades maiores. A escravidão colombiana foi abolida em 1851. Em 1991, após uma luta popular muito forte, a nova Constituição colombiana transferiu aos afro-colombianos o direito à propriedade coletiva das terras tradicionais costeiras do Pacífico e proteção especial de desenvolvimento cultural.


EQUADOR

Os africanos foram trazidos da África Ocidental para trabalhar nas zonas costeiras e nas plantações do Equador. O primeiro navio chegou neste país em 1553, levando os escravizados para a costa de Esmeraldas. Atualmente, apenas 10% da população é negra; os outros povos são principalmente brancos, mestiços, indígenas e asiáticos. Os negros e os povos indígenas são os mais pobres do país. Muitos afro-equatorianos estão concentrados no mercado de trabalho informal - com pouca ou nenhuma estabilidade no emprego. Os afrodescendentes estão localizados nas grandes cidades – há uma porcentagem significativa deles em Esmeraldas, conhecida como 'La Capital' Negra, e em Imbabura.


VENEZUELA

Aproximadamente 60 mil africanos foram levados para a Venezuela nos séculos 17 e 18 - para trabalhar nas plantações de cacau. Como acontece em outras nações sul-americanas, os afrodescendentes dominaram a população ao longo da costa. Mais de dois terços dos venezuelanos se definem como pardos. No entanto, há muitos negros africanos não miscigenados por lá. A comunidade africana na Venezuela é muito consistente: publicam, divulgam e apresentam sua cultura por meio de uma revista chamada Africanias, um dos meios de veiculação das ideias afro-venezuelanas.


GUATEMALA

A Guatemala é considerado o país mais populoso da América Central. Muitas vezes é difícil encontrar uma população negra no país. Muitos guatemalenses ainda desconhecem o fato de que existem pessoas negras na terra. Mestiços, índios maias e africanos negros compõem a maior parte do povo guatemalteco. A maioria dos africanos presentes no país chegou como escravo - praticamente ao mesmo tempo em que a Guatemala foi invadida por Pedro de Alvarado, por volta de 1524.

Um dos grandes motivos para a escravização dos africanos na Guatemala foi a pouca existência de mão de obra para enfrentar os canaviais e as fazendas. A maioria dos escravizados costumavam se casar com a população nativa americana. A importação de africanos não durou muito tempo - houve uma grande revolta dos negros escravizados. A escravidão tornou-se menos importante para os conquistadores e foi abolida em 1823. Todos os afro-guatemaltecos estão localizados praticamente nas planícies do Caribe em Livingston, Puerto Barrios e Saint Thomas, mas existem alguns na Cidade da Guatemala.

HONDURAS

Segundo o censo oficial de Honduras de 1994, 2% da população - cerca de 150.000 indivíduos se autoidentificaram como negros durante o último censo oficial. Os africanos chegaram às terras hondurenhas no início do período colonial. Um dos mercenários que ajudaram Pedro de Alvarado em sua conquista de Honduras em 1536 era um escravizado que trabalhava como mercenário a fim de conseguir a liberdade. Alvarado enviou seus próprios escravos da Guatemala para trabalhar nos depósitos de ouro de aluvião no oeste de Honduras; isso aconteceu em 1534. Os primeiros escravos negros provenientes de Honduras faziam parte de uma licença concedida ao Bispo Cristóbal de Pedraza (1547) para  levar 300 escravos para Honduras. Tudo indica que uma grande parte da população hondurenha moderna, hoje identificada como mestiça, tem pelo menos alguma ascendência negra, mas eles comumente não se autoidentificam como negros.


NICARÁGUA

Mestiços, negros e índios americanos constituem a maior parte da população da Nicarágua, mas de toda forma também vivem no país povos brancos, árabes e asiáticos. Além dos Garifunas, afro-caribenhos e miskitos, que compõem outros grandes grupos africanos da nação.
Os povos Garifuna chegaram a Honduras no século 19 e estão localizados em Orinoco,  Bluefields e Puerto Cabezas. Expressam-se usando suas línguas tribais africanas - temos como exemplo os povos miskitos, que estão localizados ao longo do Atlântico e são descendentes de negros e índios.

A maioria dos negros da região dos miskitos descende de escravizados que fugiram do Caribe. A Costa do Mosquito era uma região da Nicarágua que não foi colonizada pela Espanha, mas que se tornou um 'protetorado' dos ingleses. Assim, a língua inglesa é a mais falada pelos povos daquela região. Durante a guerra civil, os miskitos e muitas outras pessoas foram deslocados de suas casas pela guerrilha sandinista. A maioria fugiu para Honduras e retornou em meados dos anos de 1980. Existem cerca de 75 mil miskitos no país. Embora eles sejam de ascendência africano-indígena, estão associados principalmente à cultura indiana.

A escravidão na Nicarágua começou em 1524 e terminou em 1821. Como os negros foram utilizados principalmente para fins de produção, substituindo os nativos assassinados, a maioria deles ainda vive ao longo da costa atlântica.

COSTA RICA

A população afrodescendente da Costa Rica é minoria no país. Os africanos que foram escravizados chegaram praticamente juntos e na mesma época que os italianos (1800), para se tornarem trabalhadores na Estrada de Ferro da Costa Rica e em plantações de frutas. Os negros costa-riquenhos são oriundos da Jamaica, Barbados e da África litorânea. A língua oficial da Costa Rica é o espanhol, mas a maioria dos negros fala inglês.

Em 1934 iniciou-se um conflito de aquisição de direitos trabalhistas, e esse seria o início de mudanças para os afrodescendentes na Costa Rica. Uma greve foi seguida por uma guerra civil de 40 dias que foi vencida por José Figueres, que estava preocupado com a discriminação e a pobreza da população negra. Foi Figueres que auxiliou nas lutas pelas conquistas da cidadania e da liberdade, referentes à liberdade dos afro-costa-riquenhos de viajar pelo país - depois de reescrever a Constituição, em 1949. A população negra da Costa Rica diminuiu, pois muitos se mudaram para o Panamá e para os EUA.

PANAMÁ

Alguns africanos, escravizados, chegaram ao Panamá em torno de 1513 e trabalhavam na maioria das vezes na construção de navios. Outro montante de negros vindos da África chegou alguns anos mais tarde para trabalhar no transporte de mercadorias dos navios e em minas de ouro.

Uma das primeiras rebeliões de escravizados africanos nas Américas ocorreu no Panamá: os africanos dominaram os escravocratas com a ajuda dos povos indígenas.
   
O ano de 1849 marcou a construção da Estrada de Ferro do Panamá, que gerou muitas oportunidades de trabalho. A partir daí, houve um retorno dos afrodescendentes que tinham ido para outros lugares do entorno; essas pessoas, que saíram principalmente da Jamaica, Barbados e Trinidad, foram recrutados para trabalhar na ferrovia. Em 1880, os franceses começaram a trabalhar na construção de um canal interoceânico. Finalmente, a construção do Canal do Panamá pelos EUA começou em 1907. Muitos trabalhadores negros e brancos perderam suas vidas durante as construções que cercavam o país. Após a finalização das obras, a maioria dos negros permaneceu nas terras do Panamá.


ARGENTINA

Mesmo que muitos digam que não há afrodescendentes na Argentina, há alguns relatos que indicam o contrário. Os colonizadores portugueses trouxeram os africanos para a Argentina em torno de 1630; essas pessoas escravizadas saíram de Angola, pelo que os dados indicam. Hoje, os brancos representam aproximadamente 85% da nação argentina e os mestiços constituem por volta de 14,9%. Estima-se ainda que haja 0,1% de afro-descendentes vivendo no país.


CARIBE  

O Caribe é uma região banhada pelo  mar. A região está localizada a sudeste do Golfo do México e América do Norte, a leste da América Central, e ao norte da América do Sul.


Na região, é possível encontrar mais de 7 mil ilhas e recifes. Estas ilhas, chamadas de Índias Ocidentais, geralmente formam arcos insulares que delineiam as bordas leste e norte do Mar do Caribe. São chamadas Índias Ocidentais porque quando Cristóvão Colombo desembarcou por lá, em 1492, ele acreditava que havia chegado às Índias (na Ásia).

Conforme o pesquisador Stuart Hall, o Caribe nasceu de dentro da violência e por meio dela, pois o local é marcado pela conquista, genocídio, escravidão e pela prolongada fase de dependência colonial. Os povos que compõem a região caribenha, desde a Europa, África (maioria) e Ásia, foram forçados a se juntar naquelas terras.


CUBA

Cristóvão Colombo desembarcou em Cuba em 1492. Após a dizimação dos índios, os africanos foram trazidos para trabalhar nas plantações de açúcar - esse produto era a base da economia cubana. A escravidão em Cuba foi abolida em 1886, sendo um dos últimos países a acabar com o tráfico de escravos. Mais de 50% da população cubana é composta por afrodescendentes.

REPÚBLICA DOMINICANA

A República Dominicana tem cerca de 10 milhões de habitantes, sendo que pelo menos mais de 85% destes são afrodescendentes. O país é vizinho do Haiti e muitos dos moradores são haitianos; alguns vivem ilegalmente por lá, outros não.

HAITI

A história do Haiti começou a borbulhar em dezembro de 1492 - quando Cristóvão Colombo  avançou sobre a ilha, que está localizada a oeste do Oceano Atlântico, e que mais tarde passou a ser conhecida como o Mar do Caribe. Foi habitada pelos Taíno (índios), um povo que chamava a ilha de Ayiti, Bohio, ou Kiskeya. O navegador Colombo logo reivindicou as terras haitianas para a Coroa espanhola, batizando-a novamente de Ilha Espanhola ou Hispaniola.

O Haiti, sob a liderança do ex-escravo Toussaint L'Ouverture, tornou-se a mais antiga república negra do mundo e também do hemisfério ocidental. Embora o país tenha apoiado ativamente os movimentos de independência de muitos países latino-americanos – e com a promessa do libertador, Simón Bolívar, que iria libertar seus escravos, depois de ganhar a independência da Espanha -, a nação de ex-escravos foi excluída da primeira reunião do hemisfério regional das nações independentes, realizada no Panamá em 1826. Além disso, devido à oposição entrincheirada de estados escravagistas do sul, o Haiti não recebeu reconhecimento diplomático de nenhum país do mundo.


ESTADOS UNIDOS


Várias ondas migratórias para as Américas trouxeram pessoas da África para serem escravizadas na América do Norte. Segundo o Centro Schomburg de Pesquisas em Cultura Negra, as primeiras populações africanas vieram para a América do Norte no século 16, através do México e do Caribe, sendo levadas para as colônias espanholas da Flórida, Texas e de outras partes do Sul.

Dos 12 milhões de pessoas vindas da África que foram enviadas para as Américas durante o tráfico negreiro transatlântico, pelo menos 645 mil foram levadas para as colônias britânicas no norte, continente americano e os Estados Unidos, outras 1,840 milhão chegaram pelas colônias britânicas.

Por meio do censo de 2000, soube-se que os afro-americanos somavam 24,9 milhões de habitantes – em torno de 9% da população total dos Estados Unidos, constituindo assim o maior grupo de minoria racial. A população afro-americana está concentrada nos estados do sul e nas áreas urbanas.

Quase 58% dos afro-americanos viviam em áreas metropolitanas em 2000. Com mais de 2 milhões de moradores negros, a cidade de Nova Iorque tinha a maior população negra urbana nos Estados Unidos; assim, pelo menos 28% da população é negra. Chicago tem a segunda maior população negra, com quase 1,6 milhões de afrodescendentes em sua área metropolitana, o que representa aproximadamente 18% do total da população metropolitana.

Gary, Indiana, tinha o maior percentual de moradores negros de qualquer cidade dos EUA em 2000, com 84%. A cidade de Gary é seguida de perto por Detroit, Michigan, que apresentam em média 82% de americanos descendentes de africanos. Outras grandes cidades com maiorias afro-americana incluem Nova Orleans, Louisiana (67%), Baltimore, Maryland (64%), Atlanta, Geórgia (61%), Memphis, Tennessee (61%) e Washington DC (60%).


CANADÁ


Grande parte dos primeiros afrodescendentes do Canadá veio dos Estados Unidos, incluindo aqueles que chegaram livres ou que fugiram do sistema escravagista. A escravidão havia começado a ser proibida na América do Norte britânica já em 1793, sendo que mais tarde muitos descendentes vindos do Caribe foram para o Canadá. Segundo o Censo 2001, 662.215 canadenses identificaram-se como negros. A maioria dos afrodescendentes vive em cinco cidades canadenses: Toronto, Montreal, Ottawa-Gatineau, Vancouver e Halifax.

EUROPA


Na Europa a maioria dos descendentes de africanos, muitos deles vindos da África subsaariana, representam entre 3,5 e 8 milhões de pessoas e estão localizados principalmente na Bélgica, França, Itália, Países Baixos, Portugal, Espanha e Reino Unido.

No Censo realizado em 2001 no Reino Unido, 565.876 pessoas se declararam negras, sendo estas oriundas do Caribe e os outras 485.277 vindas da África. Este total equivale a 2% da população do Reino Unido, isso na época em que os dados foram coletados.


Veja a porcentagem (aproximada) de afrodescendentes que vivem nos países do continente europeu:



ÁSIA


Segundo o pesquisador Shanti, há algumas comunidades no sul da Ásia que são formadas por descendentes de africanos escravizados, comerciantes ou soldados africanos.

Há ainda poucos números referentes aos afrodescendentes presentes na Ásia. É importante notar que em Israel e na Índia podem-se encontrar muitos afrodescendentes.

Sabe-se que na Índia existe um povo, os Dalits, muito populoso no país e, conforme o historiador Walter Passos,
faz parte de um dos núcleos de descendentes de africanos mais populosos fora de África. Eles quase não têm visibilidade e possuem pouco espaço na sociedade e na religião. Este povo de pele preta que, segundo o pesquisador Runoko Rashidi, é originário das grandes migrações etíopes e egípcias.

Ainda segundo o estudioso, no século I a.C, o historiador grego Diodoro da Sicília descreveu a presença dos negros na Índia:

"Da Etiópia ele (Osíris) passou pela Arábia, mediante ribeirinhos do Mar Vermelho, tanto quanto na Índia... Ele construiu muitas cidades da Índia, uma das quais ele chamou de Nysa, disposta a ter recordação de que (Nysa) no Egito, de onde ele se originou".




OCEANIA


Na Oceania podemos verificar a existência de afrodescendentes principalmente na Austrália, país que possui, segundo o censo de 2006, 517.200 ou 2,5% de aborígenes
(afrodescendentes) do total da população.

O termo aborígene tem sido usado em inglês provavelmente desde o século 17, e significa 'primeiro e mais antigo conhecido, indígenas'. O termo recebeu conotações negativas em alguns setores da comunidade, sendo considerado muito ofensivo.




 

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