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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

Weber e o seu contexto histórico

Renata Aparecida


Como é sabido, apesar de a Sociologia só ter se consolidado enquanto ciência no século XIX, o pensamento sociológico já vinha sendo desenvolvido desde os dois séculos anteriores.

Durante os séculos XVII e XVIII, França e Inglaterra tornaram-se o centro mundial da ciência, da tecnologia e do desenvolvimento industrial. Nesse contexto, as ciências naturais conheceram momentos de expansão e afirmação.

Portanto, não é de se estranhar que na França e na Inglaterra o pensamento sociológico tenha buscado se consolidar como ciência, seguindo os caminhos trilhados pelas ciências da natureza. Foi o que aconteceu com o positivismo, embutido nas ideias de Auguste Comte e Émile Durkheim.

No contexto francês, a corrente positivista desenvolveu uma ciência social claramente baseada no modelo das ciências naturais. A ideia central era descobrir, assim como na Biologia e na Física, leis gerais responsáveis pelo controle e ordenamento do mundo social.

Além de seu arcabouço metodológico, o positivismo foi buscar nessas ciências um modelo de neutralidade do cientista e, acima de tudo, a produção de resultados cuja exatidão deveria se assemelhar àquela obtida, por exemplo, pela Física.

Já Alemanha, país onde nasceu e viveu Weber, o desenvolvimento da Sociologia vai seguir um caminho teórico e metodológico distinto. Entre outras coisas, isso acontece por causa dos acontecimentos históricos vividos por esse país.

O processo de unificação e de organização da Alemanha enquanto Estado-nação se deu muito tardiamente se comparado aos da França e da Inglaterra. Esse atraso dificultou seu desenvolvimento industrial e sua inserção na corrida imperialista que marcou a Europa na segunda metade do século XIX.

Adaptação arte


De um lado, a organização do pensamento burguês na Alemanha também se dá em momento posterior e sofre influências distintas. Se na França as ciências naturais exercem forte influência na organização do pensamento burguês, no contexto alemão elas vão ceder espaço para outras ciências, principalmente para a História.

Por meio dessa ciência acreditava-se ser possível entender os atrasos sofridos pela Alemanha frente aos outros países europeus. Com ela, buscava-se a compreensão de questões como integração e nacionalismo.

Por outro lado, os pensadores alemães ainda estavam ligados a heranças do pensamento puritano, que com seus estímulos à leitura e exame dos livros sagrados acabou também por estimular o pensamento interpretativo.

Além disso, outra diferença básica pode ser percebida entre o pensamento que toma fôlego na França e na Inglaterra e aquele que se desenvolve na Alemanha: se no primeiro a noção de universalidade ganha espaço, no segundo é o entendimento da diversidade que tem lugar de destaque.


Vejamos como isso ocorre:


A expansão comercial e marítima da França e da Inglaterra foi bastante significativa e já vinha ocorrendo bem antes da unificação da Alemanha, colocando esses dois países em contato com novos povos e com novas culturas. Nesse contexto, desenvolve-se o imperialismo e o desejo de estender os padrões culturais da Europa para os demais povos, ou seja, desenvolvem-se os pensamentos de universalidade.

Já na Alemanha, com uma formação política diferenciada e com sua expansão econômica tardia, os pensadores se interessaram muito mais em interpretar e compreender as diversidades. Por conta desses e de outros fatores, a Sociologia na Alemanha segue caminhos distintos. Principalmente por meio de Weber, ela se contrapõe ao positivismo e a ênfase dada ao coletivo e à sociedade em detrimento do indivíduo, do micro.

Além disso, questiona-se a possibilidade de a Sociologia proceder conforme o modelo das ciências naturais, ou seja, a possibilidade do sociólogo controlar e manipular fenômenos sociais do mesmo modo que um cientista controla reações químicas em seu laboratório.







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