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Sociologia e História

A sociologia de Weber, como vimos, nasceu em um contexto bem diferente daquele vivenciado por Comte e Durkheim. Ela foi muito influenciada pelo idealismo alemão, corrente filosófica da qual se destacam nomes como Emmanuel Kant e Friedrich Hegel.

Um dos pontos essenciais de discordância entre os positivistas e os idealistas, mais especificamente entre a sociologia de Durkheim e a de Weber, refere-se ao modo de conceber a história e sua importância para os estudos sociológicos.


Como pensavam os positivistas

Os positivistas concebiam a história enquanto um processo evolutivo da humanidade. Esse processo seria repleto de fases distintas e sucessivas pelas quais devem passar todas as sociedades. Assim, o que diferenciava uma sociedade da outra era o estágio em que ela se encontrava dentro desse processo.

Para conhecer esse estágio, os positivistas destacavam o método comparativo. O pressuposto do qual eles partiam era o seguinte: sociedades de diferentes períodos e lugares poderiam ser postas em comparação. Assim, saberíamos, por exemplo, se a sociedade “a” encontra-se no mesmo estágio evolutivo que a sociedade “b”.

Como, mais cedo ou mais tarde, todas as sociedades acabariam por passar pelos mesmos estágios evolutivos, o positivismo concebia a história como um processo universal, e não como algo único e próprio de cada grupo social.

Essa lei evolutiva era generalizante e anulava as particularidades históricas das diferentes sociedades. Mais uma vez, a corrente positivista mostrava que para ela o importante era o que se apresentava como geral a todas as sociedades, e não aquilo que cada uma tem de particular.


Com pensava Weber

Weber, influenciado pelo idealismo alemão, discordava da concepção de história do positivismo. Tendo iniciado como historiador, ele estava acostumado com a pesquisa de documentos e arquivos. Sua experiência permitiu que ele enxergasse a história do passado como elemento fundamental para entendermos o presente.

Entretanto, acreditava que a pesquisa histórica não resultava no estabelecimento de leis evolutivas universais e de generalizações. Pelo contrário, Weber acreditava que ela apontava para algo bem diferente: as infindas diferenças existentes entre as diversas sociedades.

Essas diferenças não estavam baseadas nos supostos estágios evolutivos preconizados pelos positivistas. Segundo Weber, estavam no fato de que cada sociedade apresenta origem e formação diferentes das demais. Por isso, cada grupo social é único e deve ser respeitado em suas especificidades.

Para Weber, o conhecimento produzido pela pesquisa histórica era imprescindível na formulação de evidências fundamentais para os estudos sociológicos. Por isso, sua sociologia compreensiva consistia em um esforço para interpretar como elementos do passado repercutiam nas particularidades das diferentes sociedades. Acontecimentos que a princípio não apresentariam importância, poderiam ter sentidos históricos e sociais inimagináveis.

Weber também apresenta uma concepção de história bem diferente daquela defendida pelo materialismo histórico de Karl Marx, segundo o qual todas as transformações históricas de uma dada sociedade podem ser explicadas pelas relações econômicas.

A perspectiva weberiana é de que a história é resultado de uma série de fatores e acontecimentos que podem ser também de natureza política, cultural, religiosa etc. O percurso histórico de uma sociedade não estaria, segundo ele, submetido apenas a questões econômicas, como dizia Marx, mas é resultado da combinação de diferentes fatores.



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