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A racionalidade e o desencantamento do mundo

VLADGRIN/Shutterstock

Ao buscar entender o sentido que os indivíduos davam a suas ações, Weber chegou à classificação de quatro tipologias de conduta social. Observando suas características, nota-se que os tipos de ação social podem também ser subdivididos em dois grupos: a) aquele cuja racionalidade está presente e é bastante acentuada e b) aquele cujos níveis de racionalidade são quase que inexistentes.

Dadas essas dicas, você saberia responder a qual desses grupos pertence cada tipo de ação definida por Weber? Se você respondeu que os dois primeiros tipos fazem parte do grupo “a” – ação racional com relação a um objetivo e racional com relação a valores, você compreendeu bem o conceito weberiano. Obviamente, as ações sociais emotivas e as tradicionais fazem parte do grupo “b”, aquele cuja racionalidade não é uma característica superior.

A interpretação weberiana acerca das ações individuais aponta para o que, segundo esse autor, seria a grande característica do mundo moderno: a racionalidade. A partir de seus diversos estudos, ele pôde chegar à concepção de que na modernidade o indivíduo tende a agir muito mais com relação a objetivos, ou seja, de maneira muito mais racional. Já nas sociedades pré-modernas, em que os dogmas religiosos permeavam toda a vida social, os indivíduos tendiam a agir imbuídos pela tradição e pelas emoções.

Obviamente Weber não concebeu a inexistência da razão nas sociedades antigas, mas fez uma distinção básica entre razão a racionalidade: todo homem, enquanto ser pensante, é dotado de razão, da capacidade de raciocinar. Isso, contudo, não garante que ele vá utilizar essa capacidade para calcular suas condutas. Em outras palavras, isso não garante que ele vá racionalizar todos os aspectos de sua vida.

Estabelecer metas e planejar meios eficientes para alcançá-las, ou seja, calcular suas ações, constitui-se numa característica imprescindível para quem pretende manter-se em conformidade com o mundo moderno, marcado pelo avanço da lógica capitalista.

Weber também não negou que emoções e tradições continuam a influenciar as ações do sujeito moderno, ainda que em menor medida. Mas ressaltou que a diferença mais notável entre a sociedade moderna e as sociedades tradicionais reside justamente na supremacia de uma lógica focada nos resultados, e não em tradições, emoções e valores.

Horiyan/Shutterstock
Essa supremacia da racionalidade fez Weber pensar no que ele qualifica de "desencantamento do mundo". Vejamos o que isso significa:

O mundo pré-moderno estava envolto em uma espécie de manto sagrado, com tradições e dogmas religiosos moldando as condutas individuais e sociais. Era, nesse sentido, um mundo encantado.

Com o desenvolvimento tecnológico e científico e com o exacerbamento da lógica capitalista, o antigo manto deu lugar a uma gaiola de ferro, a qual passou a dominar as ações dos homens. Essa gaiola é, na verdade, uma metáfora para falar da racionalidade que passou a dominar o mundo moderno, este sim, um mundo desencantado.

A organização burocrática é uma das marcas da racionalização presente no mundo moderno e capitalista. Ela está presente no Estado, por meio da administração pública, nas empresas privadas, na política e até nas instituições religiosas. Em linhas gerais, esse instrumento racional consiste em um sistema de organização no qual funções e tarefas são estabelecidas de maneira rígida, hierárquica e complexa. Na burocracia, os processos para se alcançar um objetivo são divididos em várias etapas. Cada etapa do processo é de responsabilidade de um indivíduo ou grupo de indivíduos diferentes e nenhuma pode ser pulada.
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