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O método compreensivo de Weber

Paprika/Shutterstock


Seguindo uma linha de pensamento completamente oposta àquela seguida por Durkheim e pelos positivistas, Weber desenvolveu um novo método para estudar os fenômenos sociais. Para tanto, ele tratou de fazer uma separação que viria a ser bastante útil para a Sociologia atual: ele separou metodologicamente as ciências humanas, ou sociais, das ciências naturais.

Se a grande questão das ciências naturais era encontrar e explicar as causas dos fenômenos ocorridos nos mais diferentes contextos da natureza, era plenamente aceitável que ali prevalecessem os métodos explicativos. Mas para Weber, ciências como a História e a Sociologia, com seus objetos de estudo específicos, deveriam seguir um caminho diferente.

Segundo suas concepções, não se pode para tratar um acontecimento político da mesma forma que se trata uma reação química. Assim, ao invés de métodos explicativos, que trazem uma maior ideia de exatidão dos resultados, a Sociologia deveria prezar pelos métodos compreensivos, capazes de extrair os sentidos das ações e das relações sociais. Esses sentidos seriam, para ele, elementos altamente subjetivos, permeados de valores e de emoções. Como se vê, Weber não enxergava as ações sociais como coisas, ou seja, como dados objetivos. Também não entendia como seria possível chegar a resultados exatos quando se tratava de ações sociais, e não de fenômenos químicos e físicos.

A perspectiva metodológica weberiana compreende que por mais dedicado que o cientista seja à sua pesquisa, ele nunca chegará a um conhecimento total da realidade estudada. Um acontecimento social pode ter causas e sentidos diversos, cuja apreensão total pelo cientista é impossível.

Por exemplo, qualquer cientista, por maior que seja o número de testemunhas, de documentos e de outros registros à sua disposição, é incapaz de reconstruir um acontecimento histórico em todos os seus detalhes. A apreensão é sempre parcial e poderá, no futuro, ser aprimorada pela pesquisa de outro cientista. Isso, que podemos chamar de não acabamento essencial, é para Weber uma característica básica da ciência como um todo.

A não ser que o homem deixe de questionar o mundo social e natural à sua volta, ele sempre fará novas descobertas acerca de assuntos que pareciam mais ou menos resolvidos. Quantas vezes a pesquisa de um cientista não vem esclarecer pontos obscuros de um estudo anterior ou mesmo refutar seus resultados? Quem pode, portanto, garantir que os resultados de uma pesquisa formam a realidade completa dos fatos? Nesse sentido, Weber não acreditava nas proposições de Durkheim, segundo o qual chegaria um dia em que a Sociologia estaria tão desenvolvida que seria capaz de sistematizar todas as leis sociais existentes.

Weber também discordava dos positivistas quanto à possibilidade de uma completa neutralidade do cientista. Durkheim concebia que o sociólogo precisava, acima de tudo, prezar pela objetividade de suas pesquisas e resultados. Isso significava manter uma completa isenção com relação ao seu objeto de estudo, deixando de lado, por exemplo, suas pré-noções.

Weber defendia a neutralidade do cientista, mas não acreditava que ela poderia ser plenamente alcançada. Como todo indivíduo, o cientista cresceu e se desenvolveu dentro de uma cultura e envolto por certas tradições. Nesse sentido, ele também possui seus motivos e valores, de modo que a própria escolha de seu objeto de estudo já está permeada de preferências pessoais e de pré-noções.

Isso não quer dizer que a pesquisa sociológica deva estar embutida dos valores e da visão estritamente pessoais do cientista. Weber acreditava na necessidade do cientista não projetar seus juízos de valores e suas preferências estéticas e políticas na análise científica. Mas isso, para ele, não era garantia de resultados exatos, como defendia Durkheim.

Outra preocupação que permeava a análise weberiana era diferenciar a ação do cientista da ação do político. Para ele, ao político cabe trabalhar com julgamentos de valor, emitindo suas opiniões pessoais, algo do qual o cientista deve buscar se afastar. Weber entendia política e ciência como duas esferas que deveriam estar separadas; uma sem interferir na produção da outra. Os interesses políticos não deveriam, por exemplo, ditar ou influenciar as pesquisas científicas e os seus resultados. Do mesmo modo, o cientista não deve deixar que suas preferências políticas e ideológicas façam parte de suas análises cientificas.

Apesar de ser um cidadão, e de poder opinar e tomar parte ativa nas questões que envolvem seu grupo social, quando assume o papel de cientista o sociólogo deve abster-se de questões políticas. Ele pode observar essas questões, estudá-las e compreendê-las, dando assim ferramentas para que a sociedade possa tomar decisões mais acertadas. Mas nunca poderá dizer como a sociedade deve se comportar ou pensar.



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