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  História da Filosofia Grega   
Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

A democracia e a Filosofia



Mas por que a democracia foi tão importante para o desenvolvimento da Filosofia? Vamos entender essa relação de maneira detalhada.

Na democracia grega, como vimos, todos os cidadãos tinham o direito de participar das discussões acerca das questões públicas. Além de poderem votar, tomando assim decisões para as questões políticas da cidade, os cidadãos podiam expressar sua opinião sobre os assuntos mais diversos. Sua opinião, fosse ele pobre ou rico, seria levada em consideração e discutida pelos demais até que se chegasse a uma decisão comum.

Quem era o cidadão ateniense

As mulheres gregas não eram consideradas cidadãs
Temos de lembrar que nem todos os moradores de Atenas eram tidos como cidadãos. Apenas os homens adultos, filhos de pai e mãe atenienses eram assim considerados. Mulheres, crianças, escravos e estrangeiros não recebiam esse título e, desse modo, não estavam aptos para participar da vida pública da cidade.

Essa é mais uma diferença entre a democracia grega e a democracia moderna. No Brasil, por exemplo, todo indivíduo que nasce em território nacional, seja ele homem ou mulher, é considerado cidadão brasileiro. Um indivíduo nascido em outro país, se for filho de pais brasileiros, também pode obter a nossa cidadania.


Com isso, a ideia de cidadania ganha fôlego e os cidadãos passam a necessitar de um novo tipo de formação. Até então, a educação grega prezava pelo aperfeiçoamento do corpo visando formar guerreiros “belos e bons”. Enquanto o corpo era treinado para a participação em torneios, jogos e guerras, a alma recebia dos textos de Homero e Hesíodo seu alimento.

Com o desenvolvimento econômico e cultural que conhece nesse momento de sua história, acrescido do fortalecimento de suas bases democráticas, a cidade de Atenas não necessitava mais apenas de guerreiros “belos e bons”, ela precisava de cidadãos preparados para discutir questões importantes para a coletividade e capazes de tomar decisões sábias. Como bem salientou Marilena Chaui, “a excelência não é mais a coragem do jovem guerreiro (...), mas a virtude cívica, ou seja, o respeito às leis e a participação nas atividades políticas”.

Entretanto, para participar das atividades políticas o cidadão precisava dispor de meios que o ajudassem não só a entender os acontecimentos, mas a expressar sua opinião a respeito deles. O bom cidadão precisava, portanto, de boa oratória; precisava de bons instrumentos para discursar nas assembleias e assim levar os outros cidadãos a concordarem com ele.

Para a formação desse novo cidadão surgem então os sofistas, uma espécie de profissionais da sabedoria, que se dedicaram a ensinar a arte de ser cidadão. Assim, de maneira não proposital, os sofistas acabaram por ajudar no desenvolvimento da Filosofia, já que trabalharam desenvolvendo no cidadão a capacidade de raciocinar, de questionar as coisas à sua volta e, acima de tudo, de argumentar sobre elas – elementos que todo bom filósofo deve dispor e também indispensáveis para o bom exercício da democracia em Atenas.

Ainda que criticados por muitos, a exemplo de Sócrates, os sofistas são considerados os primeiros filósofos do período socrático ou antropológico. Nos links abaixo você terá acesso a páginas que detalham a atuação e o pensamento dos sofistas e de Sócrates.

Clique e saiba mais:

Os sofistas e a arte de ser cidadão
Sócrates: "Só sei que nada sei"






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