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Ciências Humanas e suas Tecnologias.  

O trabalho dos sofistas





Os sofistas eram indivíduos eruditos que possuíam uma bagagem considerável de conhecimento e tinham a virtude de expô-los de maneira espetacular, causando assim a admiração de todos. Eles possuíam boa oratória e sabiam desenvolver os mais admiráveis argumentos, de modo que dificilmente perdiam uma discussão.

Assim, cada sofista era especialista em uma ou duas áreas do conhecimento e se dedicava a ensiná-las em troca de pagamento. Mas, apesar dessa especialização, existia uma arte que era dominada por todos eles: a retórica.

Podemos considerar a retórica como a arte da persuasão, a qual, por meio de argumentos bem construídos, leva os outros a concordarem como a opinião de quem a exerce. Entretanto, na retórica o que se coloca em foco não é necessariamente a verdade acerca dos fatos, mas os aspectos que podem melhor convencer e persuadir. Por isso, muitos filósofos acusavam os sofistas de não terem compromisso com a verdade.

Outra crítica que pesava sobre os sofistas era o fato de eles não serem atenienses. Saídos da Magna Grécia e da Jônia, eles chegaram a Atenas carregando uma gama de conhecimentos admiráveis.

O sofistas vindos da região da Jônia, como da cidade de Mileto – berço da Filosofia – conheciam profundamente as várias escola filosóficas do período pré-socrático  e sabiam os pontos de discordância que existiam entre elas.




Por outro lado, os sofistas vindos da Magna Grécia tinham amplo conhecimento da medicina que ali se desenvolveu e, além disso, conheciam de perto o pensamento de filósofos como Heráclito e Parmênides.

Munidos desses conhecimentos os sofistas chegaram a Atenas com a intenção de ensinar, por meio da retórica, a arte de ser cidadão. Devemos lembrar que a atuação dos cidadãos na democracia ateniense envolvia sua participação direta nos debates acerca das questões públicas. Inclusive, o próprio cidadão, diante de um tribunal, assumia sua defesa ou o papel de acusador. Nesse contexto, nada mais adequado que dominar técnicas de oratória e retórica que pudessem ajudá-lo a convencer os demais de suas opiniões e ideias. Os sofistas ensinavam que para se vencer um debate era necessário conhecer os argumentos a favor e os argumentos contrários a um determinado assunto.

Segundo a filósofa Marilena Chaui, os sofistas ensinavam a dizer sim e não a uma mesma questão. Por exemplo, se cidadãos estivessem debatendo acerca da entrada de Atenas em uma guerra, era necessário conhecer os argumentos prós e contras. Só assim seria possível que sua opinião fosse aceita pelos demais. Era preciso conhecer os possíveis argumentos de um adversário.

Os sofistas também argumentavam que para atingir os ouvintes e convencê-los de uma dada ideia, era necessário atingir também o seu lado emocional, e não apenas a sua razão. Para isso eles chegavam a usar técnicas teatrais e seus discursos eram sempre floreados por belas palavras, por metáforas e exemplos bem construídos.

Por causa de todas essas características, os sofistas ganharam denominações pejorativas. Foram chamados de demagogos, impostores e amantes da mentira. Segundo seus críticos, para eles não importava se estavam argumentando em favor da mentira ou da verdade. Eram acusados de visarem apenas os ganhos financeiros e de defenderem e ensinar quem melhor lhes pagasse.

Mas, apesar das críticas, os sofistas eram bem vistos e respeitados pelos democratas de Atenas. Para eles, a sofística era de vital importância na formação do cidadão e, assim, no fortalecimento da democracia. Além disso, não podemos negar que os sofistas desempenharam o importante papel de colocar o cidadão comum em contato com diferentes conhecimentos e acervos culturais. Nesse sentido, foram verdadeiros educadores.


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