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A luta de classes

A burguesia, com o desenvolvimento da atividade comercial e com a crescente posse dos meios de produção, aumentou muito a sua riqueza e passou a controlar o aparelho estatal. Com esse poder em mãos, ela criou mecanismos para garantir a propriedade privada – condição indispensável para a sua existência, bem como para facilitar a disseminação de sua ideologia e, assim, manter-se enquanto classe dominante. Por outro lado, o proletariado, classe de trabalhadores assalariados, manteve-se sem acesso ao domínio dos meios de produção e em desvantagem no que se refere ao poder político. Desse modo, a classe permaneceu oprimida pela burguesia, que tem nela elemento fundamental para o seu enriquecimento constante.



É evidente então que o surgimento do proletariado esteja diretamente ligado ao desenvolvimento da burguesia e do capital. Isso porque essa classe de operários modernos só encontra meios de sobreviver mediante a venda de sua força de trabalho.  

Por conta disso, a obra de Marx mostra que os trabalhadores foram colocados em posição de mercadorias; item de comércio como outro qualquer, já que o tempo do trabalhador, o produto e a riqueza por ele produzidos pertenciam à burguesia. O proletário, por sua vez, segundo Marx, seria um homem alienado, ou seja, que não tem controle sobre sua própria força de trabalho, sobre o seu próprio trabalho.

Com a Revolução Industrial, a situação do proletariado se agravou ainda mais. Com a substituição do homem pelas máquinas, surge uma nova divisão social do trabalho, na qual os proletários assumem a posição de meros apêndices da moderna maquinaria da empresa capitalista. São exigidas cada vez mais operações monótonas, fáceis de aprender e, com isso, diminui-se o preço da força de trabalho. O trabalhador passa a receber quase exclusivamente o necessário para a sua subsistência.

Em resumo, aumenta o caráter enfadonho do trabalho e diminui o valor dos salários. A força física envolvida no processo produtivo diminui, mas prolongam-se as horas de serviço. As mulheres e crianças recebem menos que os homens e, por isso, ganham espaço no mercado de trabalho. Em contrapartida, cresce a produção de mercadorias e, desse modo, aumenta o lucro e o capital que a burguesia detém em suas mãos.

Encontramos então duas grandes contradições do capitalismo apontadas por Marx. Veja como elas ocorrem:
  • Contradição 1 - Forças produtivas × Relações de produção

    Com o desenvolvimento constante de novas forças produtivas, o regime capitalista produz cada vez mais. Contudo, isso não representa uma melhora nas relações de trabalho. A classe trabalhadora continua a ser explorada, tendo elevada a sua carga horária, estando submetida a péssimas condições de trabalho e a salários de subsistência.
       
  • Contradição 2 - Crescimento da riqueza × Aumento da miséria

    Essa contradição deriva diretamente da primeira. Quanto mais os meios de produção são inovados, mais crescem a produção e os lucros, aumentando a riqueza. Entretanto, ela se concentra cada vez mais nas mãos da burguesia, fazendo crescer a miséria do proletariado.
Segundo Marx, é justamente dessas contradições que o proletariado – maior parcela da população – irá retirar forças para desencadear uma crise revolucionária.

Quanto mais se desenvolve a empresa capitalista, com seus mecanismo de concorrência desenfreada e com a renovação constante dos seus meios de produção, mais amplia-se o número de trabalhadores explorados e em situação de miséria. Por isso, Marx afirma que à medida que o capitalismo se desenvolve, também aumenta o número de seus opositores, isto é, o proletariado. Por isso, Marx afirma: “A burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros.”

Ele ensina que, por ser a maioria da população, caberá ao proletariado:

1) tomar consciência de sua situação de exploração;

2) organizar-se politicamente, constituindo-se em classe, em uma unidade social organizada;

3) desencadear uma revolução que retire o controle dos meios de produção e poder político das mãos da burguesia, deixando-os a cargo dos trabalhadores;

4) fazer desaparecer os antagonismos e as lutas de classe e;

5) instaurar uma sociedade socialista e, posteriormente, comunista, na qual o individuo poderá se desenvolver livremente sem precisar ser explorado para sobreviver.

Essa revolução do proletariado, segundo Marx, será diferente de todas as revoluções do passado, já que será encabeçada não por uma minoria em seu benefício próprio, mas sim pela maioria, em benefício da maioria.

Observe no esquema abaixo o caminho percorrido pelo pensamento de Marx:



Dica para fixar o conteúdo

A Revolução dos Bichos
Ano de Lançamento: 1999
Duração: 91 min.
Direção: John Stephenson
Baseado na obra de George Orwell, o filme faz uma sátira da Revolução Russa e da corrupção do poder na União Soviética, comandada por Stalin. Em uma fazenda, os bichos se organizam e desencadeiam uma revolução contra o proprietário do lugar e contra seus maus-tratos e exploração. Nele você poderá identificar, de maneira bastante divertida, alguns pontos importantes dos ideais socialistas e da ideia marxista de Revolução do Proletariado, classe que no filme é representa pelos animais.

Clique aqui para conferir o discurso que despertou a tomada de consciência nos bichos e que gerou o desejo de revolução.







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