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O materialismo histórico

Você já deve ter escutado alguém chamar um conhecido seu de materialista. No cotidiano, materialismo e consumismo são expressões que parecem caminhar de mãos dadas e designam comportamentos nos quais a aquisição e a posse de bens materiais são atitudes altamente valorizadas. Materialistas são, portanto, pessoas que supervalorizam e baseiam suas identidades e bem-estar quase que exclusivamente na acumulação de bens materiais.

Na Sociologia o materialismo apresenta outro sentido. De acordo com o pensamento de Marx, materialismo pode ser considerado um método de compreensão da sociedade. Ele parte do princípio de que todos os aspectos da vida social – sejam eles psicológicos, históricos, políticos ou até mesmo artísticos – estão calcados numa base de produção e reprodução econômica de bens e serviços. Para Marx, todos os acontecimentos da vida social têm ligação direta com a economia. Assim, a história da sociedade muda quando mudam suas bases econômicas.

Os aspectos não materiais da vida, como a linguagem, as crenças, as ideologias, o Estado, a política etc., são elementos cuja organização depende de como a produção é organizada, isto é, depende das forças e das relações de produção estabelecidas dentro da sociedade.

Marx fala então que as sociedades são organizadas em torno da produção material possuindo, desse modo, uma base e uma ‘superestrutura’. A base, ou a ‘infraestrutura’, é o que dá sustentação à sociedade. É, portanto, o ‘modo de produção’ que vigora em determinada estrutura social. Já a ‘superestrutura’ é formada pelas instituições sociais, como a política, o sistema jurídico, a família, a religião, bem como pelos modos de pensar, a exemplo das ideologias e das filosofias. Como na construção de um edifício, cuja parte superior tem seus moldes estabelecidos já no alicerce, a ‘superestrutura’ social reflete a forma desenhada pela base econômica; pela sua ‘infraestrutura’.

Dessa forma, Marx fala da importância de se analisar o movimento histórico tendo como ponto de partida as forças e as relações de produção e não o modo como os homens pensam ou pensavam em determinadas épocas. É essa concepção marxista que é chamada de materialismo histórico.

A análise de Marx segue, portanto, um movimento que vai do concreto para o abstrato. O estudo da sociedade deve, para ele, estar situado na análise de sua base material, econômica. Esta, por sua vez, constitui-se no verdadeiro suporte de sustentação da história dos homens. 

Em seus trabalhos, Marx utiliza os diferentes regimes econômicos para distinguir as diferentes etapas da história humana. Nesse sentido, ele identifica quatro modos de produção, cada um deles caracterizado por distintas formas de relação entre os homens.


Modos de Produção


Tipologia
Características das relações existentes
1.
Antigo
Escravidão
2.
Feudal
Servidão
3.
Burguês
Trabalho assalariado
4.
Asiático
Trabalho subordinado ao Estado


Segundo Marx, os três primeiros modos de produção apresentados na tabela acima (antigo, feudal e burguês) fazem referência às três etapas da história do Ocidente. Estas, apesar de distintas, possuem um fator em comum: a exploração do homem pelo homem, que deveria ser extinta com a instauração do socialismo.

Marx também destaca que a passagem de um modo de produção para o outro se apresenta a partir de um movimento dialético e constitui-se numa necessidade histórica. Entenda mais sobre o conceito na página a seguir.






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