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O capital e a mais-valia


A questão da obtenção dos lucros é amplamente discutida em uma das obras mais lidas de Marx, O capital, para quem esse é o ponto-chave do capitalismo enquanto modo de produção.

Pode-se denominar lucro como o excesso derivado de uma troca econômica. Quando um produto ou um serviço é vendido por um preço maior do que o do seu custo (de produção), é gerado o lucro. Nos primeiros momentos do capitalismo, a procura pelo lucro seguia quase que exclusivamente essa lógica. Produtos como as especiarias eram levados para regiões onde não existiam e por isso podiam ser vendidos por um valor bem acima do custo original.

Com o desenvolvimento do capitalismo, novas fontes lucrativas surgiram e vão para além da simples compra e venda de produtos. Como se sabe, os burgueses capitalistas passaram a deter grande parte dos meios de produção adquirindo máquinas, ferramentas e fábricas. Sem a posse desses meios, coube à maior parte da população vender parcela de seu tempo para as fábricas em troca de um salário. Disso, segundo Marx, derivou uma nova forma de obtenção de lucro.

Vamos ao seguinte exemplo. Um operário foi contratado para prestar 8 horas diárias de trabalho em troca de um salário, cujo valor é de 40 reais por dia. Durante essa jornada, o trabalhador produz 10 cadeiras, sendo que cada uma será vendida por 30 reais. Ao final do dia o empregado terá gerado a quantia de 300 reais, certo?

Desse valor, 40 reais lhe será pago em forma de salário e 60 reais serão destinados ao pagamento de despesas e impostos. Ao final do dia o proprietário da fábrica terá lucrado 200 reais. Essa quantia foi resultante do labor do operário, que trabalhou a maior parte do tempo para alavancar os lucros da fábrica.

Segundo Marx, existe uma diferença significativa entre o trabalho necessário e o sobretrabalho. O primeiro é o trabalho empregado para gerar o valor do salário pago ao operário; o segundo é o tempo de trabalho destinado apenas para gerar lucros excessivos ao capitalista. Esse lucro derivado do sobretrabalho recebeu de Marx a denominação de mais-valia.

Diminuição da carga horária do trabalhador

Desde a época de Marx a luta do proletariado por menores jornadas de trabalho, assim como a reação contrária do empresariado, têm sido constantes. Na atual agenda de debate político do Brasil, por exemplo, encontra-se a Proposta de Emenda Constitucional - PEC 235/95 que, há quase 15 anos, tramita no Congresso Nacional e prevê a redução da carga horária de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Essa mudança na legislação trabalhista conta com o apoio de sindicatos, mas não é bem vista pelo empresariado e por alguns economistas. Estes alegam que isso causaria a perda de competitividade da empresa brasileira frente às demais, bem como prejuízos mais diretos para os pequenos e médios empresários. O resultado seria o aumento nos custos da produção e uma consequente diminuição dos lucros e dos postos de trabalho, efeito contrário ao desejado. Mas, para outros, com o atual desenvolvimento tecnológico, não faz sentido as pessoas terem que trabalhar cada vez mais. Ao defenderem a diminuição, alguns economistas calculam, inclusive, que o impacto no custo da produção seria irrisório, não ultrapassando a casa de 1,99%.



Isso se daria de duas formas: a primeira, aumentando a jornada de trabalho do operário sem acrescentar grandes quantias ao seu salário; a segunda, acelerando o seu ritmo de trabalho e aumentando a sua produtividade. Para isso, criam-se novos processos de produção e desenvolvem-se máquinas mais práticas e rápidas. Por essa razão Marx criticava constantemente as excessivas jornadas de trabalho do operariado, que chegava a atingir 12 horas por dia.  

Apesar da exploração, a mais-valia é uma consequência da propriedade privada e de sua concentração nas mãos da burguesia. Portanto, não se pode afirmar que o trabalhador está sendo roubado. O salário recebido pelo trabalhador é quase de subsistência, ou seja, não gera propriedade para ele. Ao contrário, gera capital para a classe dominante continuar a explorá-lo. É por esse motivo que Marx tanto defendia uma sociedade cuja propriedade privada fosse abolida. Veja o que ele falava a esse respeito:


 

Marx formulou toda uma teoria acerca do regime capitalista e sua influência na vida dos homens, o que resultou também na elaboração de teorias a respeito do socialismo e do comunismo. Hoje, um número grandioso de pessoas se autodenomina marxista e ajuda a difundir o pensamento de Marx, que em diferentes partes do globo se costumou chamar de marxismo. A história recente da humanidade também nos ajuda a entender as proporções tomadas pelo marxismo ao longo das décadas. Por vezes interpretados de maneira equivocada, os escritos de Marx serviram de base ideológica, por exemplo, para a formação do Estado russo e da antiga União Soviética, bem como para os Estados Orientais, Chinês e Cubano.




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