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  A matriz negra   
Pluralidade Cultural  

Nada de tão novo assim

posztos (colorlab.hu)/Shutterstock
Mesquita em África

A ideia de um Deus único, ao contrário do que a grande maioria imagina, é uma realidade dos africanos e de sua espiritualidade. A existência de um Deus supremo do Islã não entrava em conflito com a religiosidade africana; as práticas e crenças religiosas dos nativos daquele continente também trazia em sua raiz o mesmo princípio criador e onipotente de um Deus único.

Para ilustrar, tenham como exemplo os nigerianos. A Nigéria é um dos países africanos com a maior quantidade étnica e linguística do continente. Para se ter uma ideia, mais de 500 línguas são faladas pela população. Yorubás, Idos, Ibos, Efiks, Isokos, Itsekiris, Tivs, Hausas são alguns exemplos de nações étnicas na Nigéria que possuem um Deus único e supremo como o criador de todas as coisas.

O Islã, antes de qualquer coisa, precisou ser tolerante e adaptável para se adequar aos modos de vida desses povos e, a partir daí, a sua absorção não foi algo traumático, como viria a ser a imposição do cristianismo para a população ameríndia no século XVI, na América Ibérica.

Essa adaptabilidade permitiu a esses nativos o ingresso na nova religião sem que abandonassem suas crenças ancestrais, e como gratificação eles ainda ganhavam o prestígio de participar de um “clube religioso e seleto”, no qual aqueles conquistadores faziam parte. Afinal de contas, integravam uma pequena elite local e nutriam o sentimento de fazer parte do povo eleito por Alá.

A pesquisadora Claudia Lima fala sobre essa questão no artigo O islamismo na África:

"Sem dúvida o islamismo negro é uma religião sincrética, na mesma medida em que na própria Arábia a prática islâmica estaria permeada de usos considerados supersticiosos. O uso mágico dos textos do Corão está divulgadíssimo, e na verdade, já que para boa parte dos fiéis os textos do livro sagrado não têm nenhum sentido, não é fácil precisar onde acaba o uso religioso do mesmo e começa o uso mágico; mas à segunda categoria pertence, certamente, a prática de usar passagens do alcorão ou engolir tais textos escritos em papel."

Com isso, a pesquisadora Claudia Lima aponta que as superstições dos ritos animistas e religiosos africanos também ocorriam com o Islã, no interior da cultura árabe.





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