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Pluralidade Cultural  

O sincretismo

andromina/Shutterstock
Símbolos afros e islâmicos

Ao se “converterem” ao Islã, monarcas africanos fizeram com que a religião florescesse em suas culturas locais e, dessa maneira, as formas tradicionais do islamismo se fundiram às crenças regionais, adaptando-se para continuar avançando.

Exemplo disso é a cidade de Timbuktu, no século XIV. Atualmente a região é o Mali, mas naquela época era um grande centro urbano conhecido pelo alto nível educacional. As escolas muçulmanas da região atraiam fiéis de diversas partes do mundo e tornaram-se um imenso depósito de convergência de saberes. Hoje a cidade ainda mantém a mesma Universidade de Sankoré, construída no século XII. Em um passado distante, ela recebeu 50 mil sábios muçulmanos, que espalharam o Islã pelo mundo.

Timbuktu está sendo engolida pelas areias do Saara, mas devido a sua importância como depositório de saber, em 1988 a UNESCO a listou como Patrimônio Mundial e em 1990 foi inscrita na lista do Patrimônio Mundial em Perigo.

Grupos bantos foram influenciados pela cultura árabe em seus trajetos migratórios para a África Oriental e também em suas locomoções para a África Meridional, carregando consigo o Islã.

Os sacerdotes africanos – babalaôs –, de acordo com as interpretações do jogo divinatório do Ifá, aconselham os que os consultam a iniciar-se na religião dos alufás, mas o 12º capítulo das Revelações do Ifá está diretamente ligado à toda a cultura muçulmana. Na Nigéria, o islamismo coexiste com outras religiões locais, devido ao fervor com que os reis da região aderiram ao Islã.

Pouco antes da colonização europeia do continente o Islã era a principal presença estrangeira por todo o vasto território africano e já estava fortemente integrado às práticas, às crenças e ao cotidiano das muitas sociedades africanas.


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