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Pluralidade Cultural  

A escravidão

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Escravidão
Logo após o descobrimento, ainda no início do século XVI o Brasil passou a utilizar a mão-de-obra escrava negra em suas lavouras. Depois do fracasso do trabalho forçado com os indígenas, a alternativa encontrada foi a utilização dos negros africanos nos quais os portugueses já tinham contato, por conta das suas bases no litoral africano.

Não é possível analisar a atual situação dos afro-brasileiros sem compreender o sistema escravocrata e o seu legado para essa população e para o Brasil de modo geral. É muito comum ouvirmos como justificativa para a escravidão negra que os próprios africanos praticavam a escravidão em seus territórios. Para refutar essa defesa simplória e injustificável que inclusive pessoas conceituadas no ambiente acadêmico reproduzem em defesa desse sistema, citaremos Kabengele Munanga, que em seu livro Origens africanas no Brasil contemporâneo afirma:

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Tráfico negreiro


"O tráfico negreiro instalou-se na África a partir de uma intervenção externa, árabe e ocidental, que ultrapassou o continente. Por isso, não podemos aceitar a tese de um sistema escravista africano que justificaria e legitimaria as formas de escravidão que deram origem às primeiras diásporas africanas historicamente conhecidas. Sem dúvida, alguns dirigentes africanos entre os séculos XVI e XIX entraram nesses circuitos de tráfico humano como fornecedores da mercadoria humana num mercado internacional sobre o qual não tinham nenhum controle. Alguns enriqueceram, tornando seus reinos bem poderosos e armados, com a ajuda dos traficantes estrangeiros, para garantir o fornecimento regular da mercadoria. Mas o que deve estar em questionamento crítico não são os homens ou os continentes ou países que se envolveram com o tráfico, mas o sistema escravista e o mecanismo que o alimentava, hoje considerado uma das maiores tragédias da humanidade."


Com a afirmação conclusiva de Munanga, podemos também afirmar que é a partir dessa tragédia que a história do Brasil precisa ser contada e vem dela a mazela socioeconômica dos afro-brasileiros.


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