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  A matriz negra   
Pluralidade Cultural  

Resistências

iStockphoto/Thinkstock
Força


Na perspectiva histórica, religião, artes, samba, danças, músicas, capoeira, enfim, a “cultura-afro” é uma forma de resistência dessa população ao sistema escravista, mas mesmo para esses especialistas que apontam as diversas formas de resistência como um item especial a ser analisado é praticamente unânime entre esses pesquisadores que os quilombos foram, no período escravagista, o que melhor representou a luta contra a ordem dominante.

O pesquisador Décio Freitas descreve muito bem o mais conhecido dos quilombos, Palmares!

"Faziam largo consumo de banana pacova, abundante na região. Criavam galinhas, suínos, pescavam e caçavam. Mas, fato singular, não criavam gado a despeito das excelentes pastagens de certas áreas da região por eles diretamente controladas. É que nas comunidades negras reinava a fartura que oferecia vivo contraste com a perene miséria alimentar da população do litoral. A abundância da mão-de-obra, o trabalho cooperativo e a solidariedade social haviam aumentado extraordinariamente a produção. O superproduto social se tornava abundante. Depois de alimentada a população, atendidos os gastos coletivos e guardadas em celeiros as quantidades destinadas ás épocas de más colheitas, guerras e festividades, ainda sobrava algo para trocar por produtos essências das populações luso-brasileiras. O caráter nitidamente antieconômico do sistema escravista é ilustrado por esse contraste entre o rendimento do trabalho do negro quando livre e quando cativo. Era por ser escravo e não por ser negro que ele produzia pouco e mal nas plantações e nos engenhos. O trabalho cooperativo de Palmares tinha um ritmo de produtividade muito maior do que aquele que se desenvolvia nos latifúndios escravistas; a superioridade da agricultura palmarina em relação ao trabalho escravo era facilmente verificável."


Dentro da afirmação de Décio Freitas, gostaríamos de destacar a seguinte frase: "Era por ser escravo e não por ser negro que ele produzia pouco e mal nas plantações e nos engenhos". A baixa produtividade, o desinteresse no trabalho e a suposta preguiça dos escravizados também são classificados como formas de resistência por muitos especialistas, já que a escravidão era para o cativo uma degradação desumana.

Não fazia sentido algum para essas pessoas (e pra nós também, se refletirmos minimamente sobre a situação em que se encontravam) produzir ou manter uma produtividade lucrativa para seus senhores. Somente sob muita pressão, maus tratos, vigilância, tortura e ameaças é que os escravizados produziam.



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