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O Teatro Experimental do Negro

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Protagonismo do negro

Em 1944, no Rio de Janeiro, era fundado o Teatro Experimental do Negro (TEN) por Abdias do Nascimento. O teatro tinha como objetivo valorizar o negro no teatro e também criar uma nova dramaturgia. Buscava a cidadania do ator por meio da conscientização e pela alfabetização de seu elenco que era formado por operários, empregadas domésticas, favelados sem uma definição profissional e funcionários públicos de baixo escalão. O teatro atuou junto ao nascimento do teatro moderno no país e priorizou projetos artísticos sem considerar o gosto médio da plateia e deixando de lado a profissionalização (como vimos pela composição do seu elenco).

A intenção de Abdias era empreender uma ação social além da função artística que compreendia o teatro. Ele cria um concurso de beleza para negras e um concurso de artes plásticas com o tema “Cristo Negro”, promovendo uma Convenção Nacional do Negro e o 1º Congresso do Negro Brasileiro em 1950. Cinco anos depois realiza a Semana do Negro e também edita o jornal “Quilombo”.

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No centro dos palcos
O TEN cria tendência e já em 1950 Solano Trindade funda o Teatro Popular Brasileiro, por exemplo. Muitas outras experiências surgiram a partir da iniciativa de Abdias Nascimento.

O Teatro Experimental do Negro foi impedido de participar por duas vezes de Festivais Negros Internacionais pelo próprio governo nacional. A historiadora Miriam Garcia Mendes expõe os enfrentamentos que constantemente uma organização como aquela estaria exposta. Diz ela:

"... os movimentos de vanguarda, e o TEN era um deles, sempre enfrentaram grandes dificuldades, não só por falta de apoio oficial, como pela natural reação do público [...] habituado às comédias de costumes inconsequentes ou dramas convencionais."

Nunca foi concedido ao Teatro Experimental do Negro a sua devida importância em seu tempo, mas historicamente, ao relacioná-lo com o caminhar do teatro, admite-se que ele foi uma iniciativa pioneira, criou novas produções, possibilitou o surgimento de novos talentos no cenário artístico, como Ruth de Souza, Léa Garcia e Haroldo Costa (atuantes até hoje), novos grupos teatrais, e colocou às claras uma discussão que ainda não estava solucionada: A ausência do negro na dramaturgia brasileira!

Joel Zito Araújo voltaria a discutir esse assunto no início do século XXI, com sua obra A Negação do Brasil.



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